Química de Produtos Naturais

ChemSpider

Publicado em ciência, educação, informação, química por Roberto em 30/11/2009

A Real Sociedade de Química (Royal Society of Chemistry) do Reino Unido lançou, já há algum tempo, um sistema de busca de dados sobre substâncias químicas absolutamente fantástico, designado ChemSpider. É um sistema de busca/banco de dados interativo, no qual o “cliente” pode até mesmo alimentar os dados do sistema, inserindo novas informações, como dados espectroscópicos por exemplo.

Por exemplo, uma busca realizada com o termo “podophyllotoxin” (podofilotoxina, isolada da planta Podophyllum peltatum), leva a uma página com um primeiro resultado de 3 linhas, as quais são todas interativas e levam a outras páginas, contendo dezenas de artigos científicos de referência, patentes, propriedades, fornecedores comerciais. A própria estrutura encontrada pode servir de ponto de partida para a busca de isômeros estruturais, ou substâncias similares.

Para adicionar dados de uma substância em particular, é necessário se cadastrar. De graça. Todas informações estão disponíveis livremente. Um banco de dados com milhões de substâncias químicas. Vale a pena conferir: ChemSpider.

Cannabis sativa e células-tronco

Publicado em ciência, informação, química por Roberto em 29/11/2009

Reportagem de título estranho, publicada pelo jornal Folha de São Paulo on-line, traz resultados de pesquisa extremamente interessante, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Maconha sintética aumenta “validade” das células-tronco – Reinaldo José Lopes

Substâncias cuja ação equivale à do princípio ativo da maconha podem ajudar os cientistas a aumentar o “prazo de validade” das células-tronco embrionárias. As moléculas diminuem em até 45% a morte das células em laboratório, o que pode se revelar uma forma de aumentar a eficiência de futuras terapias com base nelas.

As células-tronco embrionárias se destacam pela versatilidade, tendo o poder comprovado de assumir o papel de qualquer tecido do organismo adulto. Por isso, o grande sonho da medicina regenerativa é usá-las para reconstruir órgãos danificados. Mas um dos muitos obstáculos no caminho do plano é a baixa eficiência com que elas se mantêm no organismo.

“Sabemos que, por razões diversas, somente entre 1% e 20% das células-tronco transplantadas sobrevivem in vivo [no corpo], o que reduz a eficácia delas e traz a necessidade de transplantes com números significativamente maiores de células do que as de fato terão algum efeito”, explica Stevens Rehen, pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e coautor do estudo, na revista científica “Cell Biology International”.

Alguns dados preliminares já mostravam um elo entre a chance da sobrevida das células-tronco e a ativação das fechaduras químicas CB1 e CB2, conhecidas como receptores canabinoides justamente por interagirem com as moléculas presentes na maconha, ou Cannabis sativa. Não é que o organismo humano tenha sido “projetado” para receber a droga: ocorre que o corpo produz naturalmente substâncias que se ligam aos receptores canabinoides, desempenhando papel importante na regulação do humor, no controle do apetite e até nas defesas biológicas naturais de cada pessoa.

Rehen e seus colegas da UFRJ, como a farmacologista Marília Zaluar Passos Guimarães, que também assina o estudo, começaram o trabalho apostando que moléculas capazes de interagir com o CB1 e o CB2 poderiam facilitar a sobrevivência e a transformação das células-tronco em neurônios.

“Mas vimos que, na verdade, não se tratava de um efeito específico e associado à diferenciação [especialização] neuronal”, conta Rehen. O que ocorre é que estimular os receptores promove a sobrevivência de todas as células presentes nos chamados corpos embrioides, pelotas de células-tronco que representam a primeira fase da especialização celular delas.

Os pesquisadores testaram substâncias que estimulam tanto o CB1 quanto o CB2. A principal delas, embora tenha estrutura química bem diferente da que caracteriza o THC, princípio ativo responsável pelo “barato” da maconha, produz na célula efeitos muito semelhantes ao que ele opera. Essa molécula levou à queda de 45% na morte das células-tronco, enquanto outra substância testada, que age especificamente sobre o CB2, reduziu a morte celular em 20%.

“O próximo passo será explorar o potencial dos canabinóides como agentes capazes de aumentar a sobrevivência de células-tronco embrionárias depois de transplantes”, diz Rehen, cujo grupo inaugura nesta segunda a unidade carioca do Lance (Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias), associado à Rede Nacional de Terapia Celular do Ministério da Saúde. “O pré-tratamento das células-tronco poderá fortalecê-las para que sobrevivam no campo de batalha do organismo, de modo que tenham condições de sobreviver e se diferenciar no tecido lesado e/ou inflamado”, afirma o biólogo. “Por conta da exposição dos seres humanos aos canabinóides ao longo de milhares de anos, conhecemos a maior parte de seus efeitos no organismo, o que favoreceria sua aplicação terapêutica quando comparados a outros fármacos”, aposta o pesquisador da UFRJ.

Estranhamentos à parte, as evidências crescem e demonstram que o maior problema com relação à maconha é o preconceito. O consumo da mesma foi recentemente legalizado na Argentina, um dos poucos países do mundo que aceita o consumo pessoal de maconha (mas não o cultivo, venda e transporte em grandes quantidades). Veja aqui.

Benzeno e refrigerantes

Publicado em ciência, educação, informação, química por Roberto em 29/11/2009

Segundo reportagem da Folha de São Paulo on-line, o governo brasileiro passará a analisar substância cancerígena em refrigerantes. O artigo de Mary Persia, publicado na última quarta feira, dia 25/11/2009, relata que

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento começará a analisar a presença de benzeno (substância potencialmente cancerígena) em refrigerantes. Atualmente não há testes oficiais para detectar a substância nas bebidas, tampouco limites estabelecidos na legislação – uma resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de 2007 normatiza apenas os níveis de ácido benzóico (que, junto com o ácido ascórbico, se transforma em benzeno).

O ministério, que registra e fiscaliza os alimentos no país, afirmou que está desenvolvendo em sua rede oficial de laboratórios uma metodologia de análise para detecção da substância em refrigerantes. A perspectiva é iniciar os trabalhos de validação do processo em 2010, mas ainda não há data para a implantação das análises de forma sistemática. A Anvisa informa que não há previsão de edição de resolução sobre o benzeno.

O Ministério Público Federal está investigando a presença da substância nas bebidas e determinará a realização de um teste para a confirmação dos resultados divulgados pela Pro Teste – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor. Dois dos 24 refrigerantes testados (Sukita Zero e Fanta Laranja Light) pela entidade apresentaram concentrações acima dos limites aceitáveis para serem considerados próprios para consumo.

O benzeno é um hidrocarboneto, ou seja, uma substância formada apenas por átomos de carbono e hidrogênio. Sua estrutura é rígida e planar, e aparentemente pouco reativo em condições fisiológicas. Porém, o benzeno pode sofrer uma série de processos oxidativos na presença de enzimas, que leva a um processo em cascata favorecendo a morte celular (apoptose). O consumo de bebidas contaminadas com benzeno é extremamente nocivo à saúde, pois o benzeno é extremamente tóxico. Na dúvida, melhor deixar os refrigerantes de lado.

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Microrganismos resistentes à antibióticos

Publicado em ciência, educação, informação, química por Roberto em 29/11/2009

Notícia publicada no jornal Folha de São Paulo on-line revela que a resistência das bactérias está aumentando na Europa e no mundo por causa da excessiva utilização de antibióticos de maneira indiscriminada. O uso geral de antibióticos constitui um problema mortal e caro que ameaça a eficácia de setores inteiros da medicina moderna, advertiram especialistas reunidos na quarta-feira, dia 18/11/2009 em evento realizado no Centro Europeu de Prevenção e de Controle de Doenças (ECDC, Estocolmo, Suécia), por ocasião da segunda jornada europeia de vigilância, organizada em 32 países.

Segundo pesquisa realizada na Europa, mais da metade (53%) de médicos de serviços de tratamento intensivo viram-se confrontados nos últimos seis anos com pelo menos um caso de resistência a todos os antibióticos. Casos particularmente problemáticos são do tratamento de bebês prematuros, portadores de câncer e de doenças de diminuição de imunidade (como AIDS). O ECDC contabiliza 25 mil mortes ocorridas anualmente na União Europeia causadas por infecções por bactérias resistentes. O custo financeiro do tratamento de infecções por estas bactérias é avaliado em 1,5 bilhões de euros por ano. No ano passado, a Itália, Espanha e Portugal observaram pacientes infectados com Eschericha coli patogênica com taxas de resistência superiores a 25%.

Outras bactérias patogênicas extremamente nocivas são Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa. Um exemplo recente de fatalidade causada pela infecção com P. aeruginosa resistente a antibióticos foi a morte da modelo Mariana Bridi., do Espírito Santo A modelo premiada com dois vice-títulos de Miss Universo teve suas mãos e pés amputados em decorrência de uma infecção das vias urinárias causada por P. aeruginosa. Alguns dos antibióticos utilizados para o tratamento de infecções por P. aeruginosa são as penicilinas e seus derivados. Já no caso de infecções de S. aureus, um dos últimos tratamentos a serem empregados é com a vancomicina. Porém, já existem linhagens de S. aureus resistentes à vancomicina. Este antibiótico extremamente potente foi originalmente isolado a partir da bactéria Amycolatopsis oritentalis em 1955.

Um dos grandes problemas na descoberta e desenvolvimento de novos antibióticos é que este é um processo longo e caro. As indústrias farmacêuticas estão muito mais preocupadas em ganhar dinheiro, vendendo “remédios” contra impotência e calvície. Um absurdo.


A teoria da evolução, segundo Fernando Gonsales

Publicado em ciência, educação, informação por Roberto em 28/11/2009

Esta sequencia foi publicada no caderno MAIS! do jornal Folha de São Paulo do domingo, 22/11/2009.

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