Aluno do futuro
A charge a seguir foi encontrada no blog português “Quarks e Gluões“, de Patrícia Raposo. Como achei muito legal, inseri aqui.
Modos de separação cromatográfica – parte 1
Cromatografia de adsorção
O princípio da separação cromatográfica por cromatografia de adsorção é a partição dos solutos entre uma fase estacionária sólida e uma fase móvel líquida, através de um processo puramente físico. Os fatores que determinam a separação não ocorrem através da formação de ligações químicas covalentes, mas através do estabelecimento de forças fracas de interação entre o soluto e a fase estacionária:
A. Ligações Hidrogênio
B. Forças de Van de Waals
C. Interações dipolo-dipolo
D. Ácido-Base
E. Complexação
F. Transferência de carga
A retenção observada é resultante da combinação simultânea de várias dessas interações, que devem ser reversíveis. A escolha de fases adsorptivas inapropriadas leva à adsorção irreversível dos solutos na fase estacionária, resultando em uma pequena recuperação da amostra submetida à separação.
Diferentes tipos de fases estacionárias podem ser utilizadas nas separações por cromatografia de adsorção. Dentre muitas, a silica-gel é a mais comumente utilizada.
Sílica-gel é um polímero tridimensional de unidades tetraédricas de óxido de silício [SiO2.H2O]. É um material poroso, de grande área superficial (100 – 800 m2/g), com tamanho de partículas entre 40 a 200 μm e tamanho dos poros entre 40 a 300 Å. A natureza química da superfície da sílica-gel é constituída por grupos silanóis expostos, que são sítios ativos que podem formar fortes ligações hidrogênio, principalmente com grupos polares (ácidos carboxílicos, aminas, amidas).
Consequentemente, na cromatografia de adsorção em sílica-gel a separação se estabelece em função da polaridade dos solutos e da fase móvel (eluente). Neste tipo de separação, compostos polares apresentam interações adsorptivas fortes e requerem eluentes polares. Exemplos de classes de compostos que apresentam interações adsorptivas fortes são derivados de ácidos carboxílicos, aminas e amidas, tais como: aminoácidos, guanidinas, purinas, nucleosídeos, alcalóides, aminas terciárias, sais orgânicos, polióis, poliácidos, poliaminas, polifenóis.
Já compostos apolares irão apresentar interações fracas na cromatografia de adsorção em sílica-gel, e requerem eluentes apolares. Compostos apolares são, em geral, derivados alifáticos pouco funcionalizados, tais como: terpenos, acetogeninas, esteróis, esteróides, polipeptídeos com aminoácidos lipofílicos (valina, leucina, isoleucina, fenilalanina).
Ilustração do livro “Natural Products Isolation”, editado por Richard J. P. Cannell, Humana Press, 1998 (p. 112).
Um estudo realizado com os artigos publicados na revista Journal of Natural Products publicados entre janeiro de 1990 e dezembro de 1991 demonstrou que 90% dos trabalhos de isolamento de produtos naturais utilizaram de cromatografia de adsorção em sílica-gel como método de escolha para o isolamento. Provavelmente esta estatística não deve ter mudado muito até hoje.
A separação com sílica-gel é, de longe, a mais utilizada para o isolamento de produtos naturais. Porquê?
1. É a mais barata
2. É rápida (se realizada no modo “Flash”, ou em média pressão)
3. Fornece excelentes resultados no caso de se utilizar para a separação de compostos sujeitos à pouca ou nenhuma adsorção irreversível.
A principal desvantagem em se utilizar sílica-gel é a ocorrência de adsorção irreversível, no caso da separação de compostos muito polares. Uma possível solução para este problema é desativar a sílica, impregnando-a com solvente misturado com água (MeOH, MeCN, etc.) antes de se realizar a cromatografia. Deve-se realizar este tratamento antes de se condicionar a fase estacionária com um eluente mais apolar.
Pode-se utilizar sílica-gel das mais variadas granulações e porosidades, segundo uma necessidade específica. Por exemplo: no fracionamento de extratos brutos, é preferível se utilizar sílica-gel de maior granulometria e maior porosidade, para se evitar ao máximo a ocorrência de adsorção irreversível. Nas etapas subsequentes de separação de frações enriquecidas utiliza-se sílica-gel de menor granulometria e porosidade, com o intuito de se separar com melhor resolução compostos estruturalmente semelhantes.
Alguns exemplos de utilização de cromatografia de adsorção em sílica-gel são indicados a seguir.
Diplomas são necessários?
Artigo assinado pelo jornalista Gilberto Dimenstein, “Honra ao Mérito”, publicado no jornal Folha de S. Paulo (edição de domingo 28/06/09), discute a necessidade de diploma para exercer profissões.
Honra ao mérito
A partir de agora, para você ganhar um título de mestre não será mais necessário entregar aquelas gigantescas dissertações, repletas de citações, rodapés, tudo isso embrulhado na hermética linguagem universitária. Basta um produto: música, pintura, reportagem, software ou artigo. Muitos de seus professores não ostentarão títulos acadêmicos, alguns deles talvez nem mesmo tenham diploma de ensino superior. Mas, necessariamente, precisa demonstrar reconhecida experiência no mercado de trabalho. Essa é a consequência de uma portaria anunciada na semana passada, propondo uma nova avaliação para os mestrados profissionalizantes, destinados a pessoas que não querem dar aula nem fazer pesquisa, mas se aprimorar na sua profissão. A residência médica ou um MBA, por exemplo, já valeriam o mestrado.
O ministro Fernando Haddad me diz que, com essas mudanças, será mais fácil colocar nas universidades os talentos do mercado de trabalho, compartilhando sua experiência com os alunos. “É exatamente o que muitos estudantes esperam de seus cursos, depois que terminam a graduação”, explica. A chance de um sofisticado marceneiro, com seu diploma de ensino médio, dar aula num mestrado de arquitetura de uma USP indica que estamos metidos num interessante debate sobre méritos e talentos.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, voltou a sinalizar, na semana passada, que, além do jornalismo, mais diplomas poderão deixar de ser obrigatórios – arquitetura, administração, educação, economia, e por aí vai. Se um advogado, devidamente treinado em comunicação, pode trabalhar em jornal, por que um aluno de engenharia não poderia dar aula de física ou matemática numa escola pública? Bastaria que tivesse uma ajuda para saber transmitir seu conhecimento.
Para melhorar as escolas públicas, a cidade de Nova York chama os talentos da sociedade e oferece um curso de didática em apoio – são mandados para os piores lugares. Os resultados são bons, claro. Os alunos gostam de professores que adoram fazer coisas, sejam elas quais forem. Esse tipo de questionamento pode parecer estranho agora num país elitista dominado por cartórios e corporações. Mas é apenas consequência da velocidade do conhecimento.
O debate sobre o mérito profissional e acadêmico aparece das mais diversas formas – e ocorre, em boa parte, porque estamos buscando novas formas de medir eficiência, uma das novidades (embora engatinhando) da administração pública no Brasil. Na semana passada, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou projeto para contratação de professores. Mas, depois de passar no concurso, terão de fazer um curso. Docentes temporários terão de se submeter a provas – assim como os dirigentes regionais de ensino. Só puderam criar bônus de desempenho para professor porque existem indicadores (trágicos, diga-se) sobre os alunos.
Centros de saúde e hospitais públicos tocados por entidades filantrópicas apanharam de todos os lados, especialmente dos sindicatos e grupos ligados ao PT. Diante dos resultados positivos, inquestionáveis pelos números, o governo federal, comandado pelo PT, chamou algumas dessas organizações para ajudar na gestão de mais hospitais públicos pelo país.
Sabemos que os alunos do ProUni têm desempenho melhor que os alunos regulares; é o que já constamos com os cotistas das universidades. Os números desmontam assim bobagens sobre o risco desses jovens piorarem a vida acadêmica. É o contrário. Estão mudando os critérios para entrada no vestibular porque se considera que o mérito não está em decorar informações, mas desenvolver uma rede de habilidades e competências; premia-se quem aprende a aprender. O mercado premia quem aprende a fazer.
Essas mudanças são resultado previsível das sociedades democráticas em que se exige mais transparência, todos têm de dar conta de seus atos e, portanto, são mais avaliados e fiscalizados – e aí vai dos familiares de Sarney, no Senado, aos professores, montados em seus títulos. Não é à toa que, cada vez com mais intensidade, a sociedade olha desconfiada os privilégios das corporações, seja de políticos, seja de professores, seja de jornalistas.
A recente greve da USP se desmoralizou porque uma das suas principais causas era a readmissão de um funcionário que teria sido demitido por justa causa em qualquer empresa; daí a novidade de alunos se rebelarem contra a greve.
PS -É um movimento mais rápido do que se imagina. É por isso que José Sarney, acostumado a ver há tanto tempo aquelas mamatas do Congresso, não poderia imaginar que uma bomba explodiria em seu colo – a tal ponto que, na semana passada, cresceu a pressão por sua renúncia. Não é o Senado que piorou, mas a fiscalização que melhorou.
Ciência na sala de aula melhora aprendizado
Assista o vídeo da entrevista com o Secretário de Educação do Distrito Federal ao jornal O Estado de S. Paulo, sobre o programa educacional do DF que estimula o aprendizado de ciências na escola como forma de melhorar a formação do aluno, o desempenho escolar e melhor preparar o aluno para sua formação profissional.
A greve e manifestações na USP
Artigo publicado na edição do domingo 21/06/09 no Caderno Aliás do jornal O Estado de S. Paulo por José Artur Gianotti, no qual o autor apresenta seus pontos de vista sobre a greve e as manifestações na USP, é reproduzido a seguir.
A baderna e a esclerose do sistema
À falta de uma reforma universitária decente, pipocam as arruaças intimidatórias dos grevistas da USP.
Estou aposentado há mais de 20 anos e, de vez em quando, volto a dar aulas, quando possível para o primeiro ano. É o que fiz neste semestre. Como de costume, no mês de maio começou a greve. Na primeira semana, meu curso foi interrompido por outros alunos, mas, com a anuência dos presentes, metade da aula foi dedicada à análise das reivindicações do movimento. Na segunda semana, depois do conflito com a polícia e da Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp) ter decretado a greve, deixei de dar aula, o tempo sendo aproveitado para que os estudantes fizessem uma análise política da nova situação. Na terceira semana, contrariando a decisão do sindicato dos professores, do qual estou desligado há muito tempo, fui dar minha aula. Logo no início a sala foi invadida por grevistas para, como eles mesmos disseram, inviabilizar nossos trabalhos. Em 1969, foram os militares que me caçaram a palavra. Em 2009, um bando de alunos exaltados.
Explicara que retomava o curso em protesto contra uma greve que se tornou selvagem, prejudicando sobretudo os alunos. Sou favorável a greves, considero natural que sejam decretadas quando negociações chegam a um impasse. Mas, quando elas se tornam selvagens, quando os representantes perdem o contato com os representados, quando a minoria oprime a maioria, elas devem ser postas em causa. Esta greve por tempo indeterminado, que contraria os ideais e os interesses da maior parte dos universitários, precisa ser denunciada. Uma declaração de greve é sempre uma aposta das lideranças. Quando o movimento chega a um impasse e elas não têm a capacidade de recuar, perdem legitimidade.
É preciso considerar que as greves nos setores públicos se processam quase sem ônus para os grevistas. Professores e funcionários estão seguros de que seus salários serão recebidos, farão de conta que vão repor as tarefas adiadas, por isso as férias forçadas do primeiro semestre costumam se prolongar indefinidamente. Por sua vez, as lideranças estudantis têm se mostrado indiferentes à sua formação intelectual; basta ler seus documentos para constatar sua enorme ignorância, mistura de marxismo vulgar com palavras de ordem vazias.
Quando a greve se isola, aqueles que discordam de seu rumo têm o direito de voltar ao trabalho. Foi o que fiz. Por sua vez, os grevistas têm todo o direito de protestar, de pressionar, mas não têm o direito de usar a violência para impedir que outros não se comportem como projetam. Já que minha aula foi violentamente interrompida, só me resta encerrar o Curso de Introdução à Filosofia programado para este semestre.
Esta greve selvagem atinge apenas uma parte da universidade. Como de costume, os grevistas se encontram sobretudo nas faculdades de sempre – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Escola de Comunicações e Artes, (ECA) e a Faculdade de Educação – já que as outras unidades trabalham normalmente. Isso acontece porque essas faculdades estão na ponta do conhecimento, porque possuem uma visão mais ampla dos problemas atuais das universidades? Não é o que constato. Pelo contrário, as atuais lideranças grevistas continuam pensando e agindo em termos dos anos 60, como se a sociedade brasileira fosse a mesma, como se o sistema capitalista, em crise, não estivesse se reformulando, como se não estivéssemos sob um Estado de Direito, cujas mazelas reconhecemos, mas cuja vigência sustentamos.
Não são inéditas as greves selvagens nos campi universitários – e isso não só no Brasil. Podem durar meses, a sociedade em torno não lhes dá atenção. A falta de ressonância e a auto-referência da política interna da universidade não revela suas dimensões caducas? Na USP essa velhice é preocupante. Felizmente não a atinge como um todo; mesmo nas três faculdades mais “quentes” existe uma enorme distância entre o fluxo de bons trabalhos e o palavrório e a violência dos ativistas.
Estes se digladiam por migalhas de poder, cada grupo configurando seus interesses particulares como se fossem universais. Assume-se como se fosse representante da vontade geral, por conseguinte legitimado a forçar a obediência da minoria. Mas, na realidade, não passa de minoria a emergir por causa do absenteísmo e da despolitização geral. As decisões são tomadas em ambientes fechados, as greves resolvidas em reuniões manipuladas. Quando os dirigentes percebem que uma reunião está fugindo ao seu controle, passam a prolongá-la até que os presentes se reduzam ao quórum que lhes convém.
Por certo a presença da polícia esquentou os ânimos. Mas não tem propósito confundir a invasão dos militares golpistas nos anos 60 com a vinda da PM a chamado da reitoria e dos próprios alunos. Essa é mais grave, porque evidencia a falência de um projeto educacional, o reconhecimento de que o curso dos trabalhos da universidade pode ser perturbado por baderneiros. Como os autênticos universitários não isolaram os extremistas, como a reitoria não preparou a segurança interna para proteger as pessoas e o patrimônio? E se, em último recurso, a polícia precisasse ser chamada, por que os dirigentes não foram previamente convocados?
Tudo leva a crer que o impasse no qual a USP se meteu provém da esclerose dos seus processos decisórios, começando pelos departamentos, passando pelas congregações, chegando ao conselho universitário e ao núcleo da reitoria. O aumento das decisões burocráticas e fragmentadas libera uma onda de políticas fantasiosas. Representantes de professores, funcionários e alunos, desprovidos de uma base de representados articulados, passam a encenar papéis políticos caducos.
Dois personagens dominam a cena. O primeiro é o porta-bandeira. Um professor, um funcionário, um aluno sobressalente ergue a flâmula da liberdade e da democracia, apresenta-se como se fosse representante da vontade geral, do passado magnífico e do futuro radiante, e fala à massa reduzida o que esta quer ouvir. Depois, calmamente retira-se para a tranquilidade de seus afazeres. Mas a eficácia desse discurso vazio depende da atividade violenta do leão-de-chácara. Este é que interrompe a aula, junta cadeira nos corredores, invade a reitoria, fecha os restaurantes universitários. A voz libertária dos porta-bandeiras está associada à violência dos protofascistas.
Aqui me parece estar um dos nós da questão: a política universitária, isolada dos processos decisórios reais, se canaliza por vias esclerosadas, obedece a parâmetros antiquados, muito distantes do que venha a ser uma política contemporânea. Em nossas sociedades os atores políticos lutam sobretudo por direitos localizados. Quando falam em nome do povo é porque souberam conciliar pontos de vista diferentes sem que essas diferenças se percam. Não operam tendo como pano de fundo uma vontade geral que, mesmo quando se opõe a uma minoria, ainda se imagina como o bem da nação. Este se tece pela conciliação de múltiplos interesses que, não podendo confluir num interesse geral, formam uma colcha de retalho negociada para que a maioria tenha sua vez. Daí sua instabilidade, mas, por isso mesmo, seu enorme potencial democrático. A arbitragem não é monárquica. Resulta da confluência de vários planos e de vários pontos de decisão.
A USP, as outras universidades paulistas, por fim todo o ensino público universitário necessita de uma profunda reforma, que atinja seus processos decisórios para que se tornem mais efetivos e democráticos. Mas que não se confunda democracia com aumento do colégio eleitoral. Pelo contrário, a mera eleição é apenas um lado do processo; torna-se abstrata quando a sociedade civil não se organiza. Que as universidades públicas alimentem suas próprias redes de interesses e projetos, que não percam de vista a missão que receberam da sociedade. Três são os seus princípios já estabelecidos: a educação, a pesquisa e a extensão. Mas não podem ser perseguidos igualmente. Haverá institutos de ensino superior que privilegiam a educação de massa; outros, a pesquisa e a formação de elites; outros ainda, suas relações com a sociedade. Nada mais falso imaginar que todas as universidades confluirão para o mesmo projeto. A USP tem uma enorme vocação para a pesquisa. Que sua massificação não a prejudique.
José Artur Gianotti é professor emérito da FFLCH/USP e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).















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