Química de Produtos Naturais

Cadê o “Blogues de Ciência”?

Publicado em Uncategorized por Roberto em 30/07/2009

O que foi feito do metablog “Blogues de Ciência”, de Portugal? Um metablog é um veículo para divulgar blogues, e o “Blogues de Ciência” era excelente. Simplesmente deixou de existir?

Blogues de Ciência (http://divulgarciencia.com): onde está você?

Plasmodium resistente à artemisinina

Publicado em ciência, informação, química por Roberto em 30/07/2009

plasmodium

Plasmodium em hemácias

Parasitas do gênero Plasmodium causadores da malaria no Cambodja estão se tornando resistentes à artemisinina. Considerada como sendo o tratamento mais eficaz contra a malaria, a artemisinina é extraída do arbusto Artemisia annua, originária da China onde é conhecida por Qinghaosu. Redescoberta pelos chineses nos anos 70, a artemisinina se tornou o tratamento mais eficaz contra Plasmodium spp. resistentes ao tratamento com derivados da quinina, também de origem natural (da árvore Cinchona officinalis).

artemisinin

Os estudos realizados por pesquisadores da Mahidol University, Bangkok, e da University of Oxford (Inglaterra) demonstraram que pacientes infectados com Plasmodium falciparum originários do Cambodja apresentaram volta dos sintomas da malária, e presença dos parasitas no sangue, após a primeira fase do tratamento com artesunato de sódio (derivado da artemisinina). Suspeita-se que o surgimento de linhagens de Falciparum resistentes seja decorrente de tratamentos feitos de forma incompleta, ou da aministração de doses medicamentosas abaixo do recomendado para o tratamento da malária.

A preocupação dos pesquisadores é que tais linhagens de Plasmodium não se propaguem para outras áreas, uma vez que, adquirindo resistência ao tratamento com artemisinina e derivados, não existem alternativas terapêuticas para o tratamento da malária.

O trabalho foi comunicado à revista The New England Journal of Medicine, e divulgado no Science Daily.

Ácido caféico e hipertermia

Publicado em ciência, informação, química por Roberto em 30/07/2009

exercíciosQuando exercícios físicos são realizados por períodos prolongados, atletas sofrem de um tipo de stress denominado de hipertermia, que causa fadiga e desidratação. Além disso, a hipertermia e o stress oxidativo que ocorre durante exercícios físicos prolongados também estão intimamente relacionados. Pesquisadores da Chinese Culture University in Taiwan verificaram que o ácido caféico, presente em altas concentrações no própolis, reduz a morte celular induzida por hipertermia. Todavia, tais resultados são apenas preliminares.

acido-cafeico

Esta notícia foi veiculada na página Science Daily.

QUADRO NEGRO

Publicado em ciência, educação, informação por Roberto em 29/07/2009

Review publicado na revista Conservation Biology que incluiu 24.000 referências bibliográficas de artigos sobre conservação biológica revela um quadro verdadeiramente desolador sobre a extinção de espécies biológicas na Oceania, que inclui a Austrália, Nova Zelândia e Tasmânia. De acordo com o autor principal dos 14 autores do trabalho, Professor Richard Kingsford da University of New South Wales, o planeta está atualmente vivendo seu 6o período de extinção em massa. De acordo com o estudo, a Oceania, região de ocorrência de altas taxas de endemismo (uma espécie biológica é considerada endêmica quando ocorre em apenas um país ou região muito restrita), está vivenciando uma grande perda de espécies biológicas devido à degradação de habitats naturais, inserção de espécies invasoras, mudanças climáticas, super exploração de recursos naturais, poluição e doenças em espécies selvagens.

lobo-da-Tasmânia

Lobo da Tasmânia

Os números apresentados no artigo são estarrecedores. A taxa de extinção de espécies no mundo é atualmente de 1.000 a 10.000 vezes maior do que há 60 milhões de anos. Mais de 1.200 espécies de pássaros foram extintas, a agricultura na Austrália promoveu a destruição de cerca de 50% das coberturas naturais, espécies invasoras causaram a extinção de cerca de 75% das espécies de vertebrados locais, mais de 2.500 espécies de plantas invasoras foram catalogadas.

De acordo com os pesquisadores, a fauna do planeta Terra foi minimamente catalogada: cerca de 5% dos peixes, 6% dos répteis, 7% dos anfíbios. O problema está se fazendo sentir nos países da Oceania, mas os governos avaliam que leis conservacionistas ameaçam a economia local. Mesmo assim, os cientistas propõem medidas a serem adotadas, como reservar 10% do território dos países da Oceania para Parques Nacionais, bem como 50% das áreas marinhas. A pesca na região afetou muito as espécies de peixes. Para agravar o problema, estima-se que a população na região aumentará significativamente até o ano 2050: 35% na Austrália, 25% na Nova Zelândia, 76% na Papua Nova Guiné e 49% na Nova Caledônia.

oceania

Como sempre, os autores estimam que as gerações futuras serão as mais seriamente afetadas pela perda de diversidade biológica e pela não adoção de estratégias de gerenciamento de conservação, preservação e exploração racional dos recursos naturais.

Comentários do autor deste blog:

Em 1992, o explorador francês Jacques-Yves Cousteau angariou 5 milhões de assinaturas em sua “Petição [abaixo-assinado] pelos direitos das gerações futuras” em todo o mundo. Vergonhosamente, empresários, banqueiros, políticos, etc., nunca deram atenção aos problemas apresentados por exploradores e pesquisadores sobre os problemas da perda da biodiversidade.

Mesmo antes, em 1987, foi criada a Comissão Brundtland,da qual participou Paulo Nogueira Neto (então professor na USP e Secretário da Secretaria Especial do Meio Ambiente). As conclusões do trabalho desta comissão foram publicadas no livro “Nosso futuro comum”, conhecido como Relatório Brundtland, que fundamentou as propostas a serem apresentadas na ECO-92.Cousteau

Paulo Nogueira Neto
Também nesta época realizaram-se a
Toronto Conference on the Changing Atmosphere, no Canadá (outubro de 1988), seguida pelo IPCC’s First Assessment Report em Sundsvall, Suécia (agosto de 1990) e que culminou com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CQNUMC, ou UNFCCC em inglês) na ECO-92 no Rio de Janeiro, Brasil (junho de 1992). Subsequentemente, tais iniciativas levaram à elaboração do Protocolo de Kyoto (1997, ratificado em 1999).

Tais ações permaneceram apenas no papel. Ações efetivas, mesmo, quase nenhuma. O preço a pagar será grande, difícil de ser medido. Uma das conseqüências é a emergência de doenças desconhecidas, uma vez que linhagens virais, bacterianas e fúngicas selvagens estão sendo removidas de seus habitats originais. Apenas como um exemplo, o fungo Aspergillus sydowii, originário do deserto do Saara, é atualmente considerado a maior praga que afeta corais do Caribe. Parece filme de ficção científica. Seria bom se fosse.

PS – Infelizmente nossos governantes consideram que as leis ambientais são um estorvo para desenvolver a infra-estrutura do Brasil. Veja aqui.

Artigo do JACS avaliado em blogs

Publicado em ciência, informação, química por Roberto em 28/07/2009

A reação a seguir é uma reação clássica em química orgânica. Qualquer químico orgânico sabe disso. Certo?

oxidação-com-NaH

Errado. Esta reação é extremamente bizarra, pois NaH (hidreto de sódio) não é oxidante, e sim um redutor. Pois artigo ASAP do Journal of the American Chemical Society, de autoria de pesquisadores chineses, relata justamente a ocorrência desta reação. Veja aqui.

Tal artigo causou uma enorme celeuma na comunidade química. O quê? NaH é oxidante? Jamais! Imediatamente dezenas de químicos começaram a realizar esta reação no mundo todo, inclusive o autor do blog “Totally Synthetic“, Paul Docherty. O divertido da história é que muitos químicos observaram que a reação realmente ocorre, se não for realizada em atmosfera absolutamente inerte (livre de oxigênio). Na presença de oxigênio, o grupo álcool secundário é transformado em cetona. Diversos químicos do mundo todo confirmaram seus resultados em vários blogs. A conclusão foi que os pesquisadores chineses, Xinbo Wang, Bo Zhang e David Zhigang Wang, não tomaram os devidos cuidados na realização da reação desejada (formar o alcóxido do álcool secundário), e a reação de oxidação aconteceu.

Leiam a história em detalhes no boletim da Royal Society of Chemistry.