Saúvas, fungos, bactérias e nitrogênio
Saúvas dependem de fungos para poder se alimentar. E os fungos das saúvas dependem de bactérias fixadoras de nitrogênio. A fixação de nitrogênio por bactérias é um dos pontos chave do ciclo do nitrogênio na natureza, e é essencial para as plantas poderem biossintetizar aminoácidos e outras substâncias nitrogenadas. Pesquisadores da Universidade de Wiscosin em Madison (EUA) descobriram que os fungos que vivem associados às saúvas dependem de bactérias fixadoras de nitrogênio para sobreviver.
O estudo demonstrou que as formigas acabam por assimilar o nitrogênio atmosférico, através do processamento deste, primeiro por bactérias e depois por fungos. Estes fungos são “herbívoros”, e degradam folhas de plantas que as saúvas levam para seus formigueiros. As bactérias e os fungos atuam conjuntamente no ambiente do formigueiro, favorecendo o desenvolvimento das saúvas, de maneira a fornecer nutrientes às formigas. E provavelmente os microrganismos se beneficiam por ocupar um ambiente com luminosidade e temperatura ideais para seu desenvolvimento.
Esta “parceria” resulta de um processo de co-evolução entre as formigas, os fungos e as bactérias que deve ser antigo de cerca de 50 milhões de anos, e permitiu às formigas serem prevalentes em seu ambiente. Considerando-se que a quantidade de formigas nos trópicos e nas Américas é gigantesco, isso significa que a quantidade de nitrogênio processado pelas bactérias também deve ser muito grande.
O trabalho foi publicado na revista Science, e a referência completa é Adrián A. Pinto-Tomás, Mark A. Anderson, Garret Suen, David M. Stevenson, Fiona S. T. Chu, W. Wallace Cleland, Paul J. Weimer, Cameron R. Currie, Symbiotic Nitrogen Fixation in the Fungus Gardens of Leaf-Cutter Ants, Science, 2009, 326. pp. 1120 – 1123.
Uvas, nozes e doença de Alzheimer
Dieta rica em gorduras poli-insaturadas e em nutrientes funcionais, os assim chamados polifenóis, influenciam a neurogênese – ou seja, o nascimento (ou o surgimento, ou a produção) de neurônios no cérebro. Além disso, uma dieta rica neste nutrientes parece também reforçar a diferenciação dos diferentes tipos de neurônios, que exercem diferentes funções cerebrais. Esta foi a conclusão de estudos realizados por pesquisadores da Universidade Autônoma de Barcelona.
Camundongos alimentados com uma dieta rica em ácidos graxos poli-insaturados e polifenóis apresentaram uma maior proliferação de neurônios no bulbo olfatório e no hipocampo, regiões do cérebro comumente comprometidas em doentes que sofrem com Alzheimer. A doença de Alzheimer é uma das principais doenças neurodegenerativas, principalmente em idade avançada, e que compromete processos de memória e aprendizado.
Durante o desenvolvimento do cérebro, células-tronco geram diferentes tipos de células neuronais: neurônios, astrócitos e oligodendrócitos. Até os anos 1960 se acreditava que após a infância não surgiam mais neurônios no cérebro, e que o número destes apenas diminuía com o passar dos anos. Todavia, atualmente se sabe que os neurônios continuam a surgir durante a fase adulta. A capacidade de neurogênese do cérebro é limitada a duas áreas: o bulbo olfatório e o hipocampo (área relacionada à memória e aos processos de aprendizado). Embora o ritmo da neurogênse (formação de neurônios) diminua com o passar dos anos e principalmente quando da ocorrência de doenças neurodegenerativas, sabe-se que a diminuição da neurogênese pode ser evitada com uma dieta saudável e com exercícios físicos.
Segundo a pesquisa, uma dieta rica em substâncias antioxidantes – função exercida por ambos polifenóis e ácidos graxos poli-insaturados – pode ajudar significativamente na prevenção da doença de Alzheimer, e eventualmente ajudar na boa manutenção das funções cerebrais.
Alimentos ricos em polifenóis são chá verde, uvas, soja e vegetais verdes. Ácidos graxos de excelente qualidade são encontrados nos diferentes tipos de nozes, azeite de oliva (e azeitonas), peixes oceânicos de água fria, óleos de girassol, óleo de canola.
O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade Autônoma e Barcelona, e será publicado em dezembro. A referência completa é T. Valente, J. Hidalgo, I. Bolea, B. Ramirez, N. Anglés, J. Reguant, J. R. Morelló, C. Gutiérrez, M. Boada e M. Unzeta. A Diet Enriched in Polyphenols and Polyunsaturated Fatty Acids, LMN Diet, Induces Neurogenesis in the Subventricular Zone and Hippocampus of Adult Mouse Brain. Journal of Alzheimer’s Disease, 2009; 18 (4) DOI: 10.3233/JAD-2009-1188
Bactérias antifúngicas em anfíbios
Estudo recente demonstrou que uma bactéria presente na pele de salamandras as protege, bem como a outros anfíbios, de infecções fúngicas. O fungo causador de doenças de anfíbios, Batrachochytrium dendrobatidis, causa uma doença de pele fatal para estes animais. Todavia, algumas espécies são imunes à infecção por B. dendrobatidis. A proteção pode estar associada à presença de fatores de imunidade, peptídeos (pequenas proteínas) antimicrobianas, à presença de outros microrganismos protetores, além do comportamento dos animais. No caso da presença de microrganismos protetores, estes estabelecem com os anfíbios uma relação de mutualismo, ou seja, que ambos anfíbio e microrganismo são beneficiados pela relação de associação.
Uma das bactérias protetoras de anfíbios, Janthinobacterium lividum, produz a substância violaceína, que apresenta atividade antifúngica contra B. dendrobatidis. A mesma substância, violaceína, foi encontrada em três de sete salamandras selvagens encontradas pelos pesquisadores que realizaram o estudo. A concentração de violaceína na pele das salamandras, cerca de 18 μM, foi suficiente para inibir completamente o desenvolvimento do fungo B. dendrobatidis, e prevenir completamente a morbidade e mortalidade de anfíbios causada pelo fungo.
O estudo completo realizado por Matthew H. Becker, Robert M. Brucker, Christian R. Schwantes, Reid N. Harris, e Kevin P. C. Minbiole, “The Bacterially Produced Metabolite Violacein Is Associated with Survival of Amphibians Infected with a Lethal Fungus”, foi publicado na revista Applied and Environmental Microbiology, 2009, volume 75, p. 6635-6638.
Devassa no ProUni
O ProUni é objeto de devassa por parte do governo federal. Mais de 1.700 bolsas serão canceladas, e 15 universidades desvinculadas do programa, pelo fato de alunos beneficiados com bolsas do programa estarem também matriculados em universidades públicas e gratuitas. Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo on-line
A Secretaria de Educação Superior decidiu pela suspensão após fazer um cruzamento das informações do cadastro de bolsistas com outros bancos de dados, como a Rais (Relação Anual de Informações Sociais), o Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) e dados de universidades federais. No caso das instituições, a supervisão monitorou a regularidade da oferta e ocupação das bolsas. O cruzamento com base na Rais apontou a existência de 1.934 bolsistas com indícios de possuírem rendimentos incompatíveis com o perfil do ProUni. Em 561 casos as irregularidades foram comprovadas e as bolsas canceladas –nos demais casos foram apresentados documentos ou havia erro nos dados. No Renavam, foram encontrados 1.699 bolsistas com veículos em seu nome. Ao todo, 598 estudantes perderam a bolsa após a comprovação de possuírem veículos –nos demais casos a posse não caracterizou patrimônio incompatível com as regras do programa, segundo o MEC.
O cruzamentos dos dados também identificou outros casos que ferem as regras do ProUni: 34 já tinham concluído curso superior, 631 estavam matriculados em universidade pública e outros 58 apresentavam mais de uma irregularidade. Segundo o MEC, em todas as situações as bolsas foram canceladas depois da notificação dos estudantes e a verificação da documentação apresentada. O ProUni tem hoje 396.673 estudantes com bolsas ativas.
Segundo ainda reportagem do jornal “O Estado de São Paulo on-line”
[...] os [alunos] que receberam o benefício de má-fé terão os nomes encaminhados à Advocacia-Geral da União (AGU). Eles deverão ser processados e, se condenados, obrigados a ressarcir os cofres públicos. Os nomes das instituições serão encaminhados à Receita Federal e elas poderão ser obrigadas a pagar ao governo o que deixaram de recolher em função do benefício. Mas as faculdades sem fins lucrativos não sofrerão punição, pois não dispunham de novas reduções de tributos.
O ProUni é um programa do governo federal que concede bolsas a alunos carentes matriculados em universidades particulares. Infelizmente, pessoas de má fé prejudicam outras que necessitam de auxílio financeiro para estudar, tornando questionável a forma de aplicação dos recursos do ProUni. Doravante, a utilização destes recursos deverá certamente ser muito melhor fiscalizada.

















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