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	<title>Química de Produtos Naturais</title>
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	<description>Sobre química de produtos naturais, mas também ciência, política científica e educação</description>
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		<title>Mauricio Rocha e Silva fala da Clinics e da pesquisa do Brasil na Globo News</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 23:14:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=8046&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://quiprona.wordpress.com/2012/01/27/mauricio-rocha-e-silva-fala-da-clinics-e-da-pesquisa-do-brasil-na-globo-news/"><img src="http://img.youtube.com/vi/pnjBMawvUa8/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/quiprona.wordpress.com/8046/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/quiprona.wordpress.com/8046/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/quiprona.wordpress.com/8046/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/quiprona.wordpress.com/8046/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/quiprona.wordpress.com/8046/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/quiprona.wordpress.com/8046/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/quiprona.wordpress.com/8046/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/quiprona.wordpress.com/8046/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/quiprona.wordpress.com/8046/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/quiprona.wordpress.com/8046/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/quiprona.wordpress.com/8046/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/quiprona.wordpress.com/8046/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/quiprona.wordpress.com/8046/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/quiprona.wordpress.com/8046/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=8046&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Avaliar a avaliação por pares?</title>
		<link>http://quiprona.wordpress.com/2012/01/23/avaliar-a-avaliacao-por-pares/</link>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 23:52:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[publicações científicas]]></category>
		<category><![CDATA[avaliação por pares]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta é a ideia muito original de um grupo de pesquisadores finlandeses que resolveram criar uma rede social de avaliação por pares. A proposta foi divulgada no blog da revista Chemistry World, editada pela Royal Society of Chemistry (veja aqui). No blog da RSC, o autor do texto, PhilR, lembra que a avaliação por pares [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=8039&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/peerreview.jpg"><img class="alignleft  wp-image-8040" title="PeerReview" src="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/peerreview.jpg?w=252&#038;h=260" alt="" width="252" height="260" /></a>Esta é a ideia muito original de um grupo de pesquisadores finlandeses que resolveram criar uma rede social de avaliação por pares.</p>
<p style="text-align:justify;">A proposta foi divulgada no blog da revista Chemistry World, editada pela Royal Society of Chemistry (veja <a href="http://prospect.rsc.org/blogs/cw/2012/01/23/improving-peer-review/"><strong>aqui</strong></a>). No blog da RSC, o autor do texto, PhilR, lembra que a avaliação por pares sempre foi objeto de críticas, apesar de ser absolutamente necessária para a pesquisa científica. Isso porque é uma atividade que exige critério e é difícil de ser avaliada.</p>
<p style="text-align:justify;">O grupo de pesquisadores, da Universidade de Jyväskylä (alguém sabe como se pronuncia?), na Finlandia, resolveu criar uma iniciativa para melhorar o processo de avaliação por pares, que pode ser lento, pelo qual os revisores não recebem crédito ou reconhecimento, e que pode ter como resultado uma análise mal feita. Além disso, diz o texto de PhilR que a avaliação por pares frequentemente sofre acusações de ser feita sob vieses, e que a rejeição de artigos atrasa a publicação destes, que podem ficar circulando entre revistas.</p>
<p style="text-align:justify;">O site <strong><em>Peerage of Science</em></strong> (<strong>PoS</strong>, veja <a href="http://www.peerageofscience.org/"><strong>aqui</strong></a>) foi criado para discutir os problemas da avaliação por pares, de forma a mudar o sistema atual e resguardar a importância da ciência e seu progresso. No site os artigos são submetidos para uma avaliação por pares, coordenada pelos organizadores. Os revisores podem se apresentar desde que já tenham publicado artigos científicos. Escolhem artigos para revisar e propõem datas para a análise dos manuscritos. Após as avaliações de um manuscrito serem enviadas para o site, as próprias avaliações são avaliadas! Os avaliadores dão notas para as avaliações do mesmo manuscrito. Desta forma, os avaliadores são classificados por um processo chamado de “qualidade da avaliação por pares” (peer essay quality), tendo por base a avaliação por outros revisores. Esta classificação tem por objetivo melhorar a qualidade das avaliações. Como resultado, para cada manuscrito avaliado os autores do artigo têm que avaliar dois artigos do PoS.</p>
<p style="text-align:justify;">Todo o processo é anônimo, embora os revisores possam querer que sejam identificados. E, se assim desejarem, podem publicar suas análises de manuscritos em uma revista criada pelos autores do site, chamada de <em><strong>Proceedings of the Peerage of Science</strong></em>. Uma revista de relatórios de avaliação de manuscritos. Uma forma que os revisores têm de mostrar sua expertise sobre o assunto que avaliaram, e serem reconhecidos por isso.</p>
<p style="text-align:justify;">O objetivo final deste processo é que os artigos avaliados sejam publicados em revistas científicas. Por isso, os organizadores do PoS encorajam os editores de revistas a participarem. Se o editor de alguma revista gostar de algum manuscrito que foi avaliado, pode convidar os autores do artigo a publicarem na revista que editam – caso que já aconteceu com a única revista que está participando, a <em><a href="http://www.wiley.com/bw/journal.asp?ref=0906-7590"><strong>Ecography</strong></a></em>. Também é possível que os autores de um manuscrito que tenha sido avaliado pelo PoS utilizem a avaliação para submeter seu artigo para publicação. O que é essencial para o PoS, para saberem se seu processo realmente funciona.</p>
<p style="text-align:justify;">Os idealizadores do PoS pretendem realmente levar sua proposta adiante, e muitas instituições de excelência já estão participando da iniciativa. Mesmo assim, PhilR pergunta se os editores dos periódicos científicos irão considerar o processo do PoS como sendo realmente uma revisão por pares, se está menos vulnerável a abusos do que o sistema tradicional de avaliação por pares, se a anonimidade do PoS é realmente efetiva, e o que acontece se ninguém avalia um manuscrito submetido ao PoS. Estas e muitas outras questões foram levantadas em outros blogs, como o de Mike Foster, “Theoretically Speaking” (na Nature.com; veja <a href="http://blogs.nature.com/mike/2012/01/16/peerage-of-science-a-publishing-revolution"><strong>aqui</strong></a>), que, por sua vez, menciona as críticas de David Crotty ao PoS no blog “Scholarly Kitchen blog”.</p>
<p style="text-align:justify;">A dúvida é se a iniciativa dos finlandeses vai vingar.</p>
<p style="text-align:justify;">E você, leitor(a)? Abriria mão de um pouco de seu tempo para participar da iniciativa do PoS?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/quiprona.wordpress.com/8039/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/quiprona.wordpress.com/8039/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/quiprona.wordpress.com/8039/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/quiprona.wordpress.com/8039/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/quiprona.wordpress.com/8039/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/quiprona.wordpress.com/8039/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/quiprona.wordpress.com/8039/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/quiprona.wordpress.com/8039/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/quiprona.wordpress.com/8039/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/quiprona.wordpress.com/8039/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/quiprona.wordpress.com/8039/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/quiprona.wordpress.com/8039/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/quiprona.wordpress.com/8039/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/quiprona.wordpress.com/8039/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=8039&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Roberto</media:title>
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		<title>Va a bordo!</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jan 2012 11:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[educação científica]]></category>
		<category><![CDATA[ensino de ciências]]></category>
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		<description><![CDATA[O professor de química entra na sala de aula em uma escola de segundo grau, e avisa: - Hoje vocês vão aprender a Tabela Periódica. A Tabela Periódica é uma tabela onde estão representados todos os átomos conhecidos. Como vimos na aula passada, os átomos são partículas extremamente pequenas, formadas por prótons, elétrons e nêutrons. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=8025&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/navio.jpg"><img class="alignleft  wp-image-8027" title="navio" src="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/navio.jpg?w=319&#038;h=233" alt="" width="319" height="233" /></a>O professor de química entra na sala de aula em uma escola de segundo grau, e avisa:</p>
<p style="text-align:justify;">- Hoje vocês vão aprender a Tabela Periódica. A Tabela Periódica é uma tabela onde estão representados todos os átomos conhecidos. Como vimos na aula passada, os átomos são partículas extremamente pequenas, formadas por prótons, elétrons e nêutrons. Todos os átomos têm diferentes números de prótons, elétrons e nêutrons. E é por isso que cada átomo diferente pode ocupar um lugar diferente na tabela periódica. Por exemplo, o átomo de hidrogênio têm só um próton e um elétron, e por isso ele fica representado na tabela periódica no canto superior esquerdo. Já o átomo de hélio têm dois prótons, dois nêutrons e dois elétrons. E por isso ele é representado na tabela periódica no canto superior direito&#8230;.</p>
<p style="text-align:justify;">E a aula prossegue. Cinco minutos depois, mais da metade dos alunos da classe não está mais prestando atenção no professor.</p>
<p style="text-align:justify;">Em outra escola, outro professor de química entra na classe, muito agitado, diz:</p>
<p style="text-align:justify;">- Pessoal, vocês viram ontem na TV o navio que quase afundou perto de uma ilha da Itália?</p>
<p style="text-align:justify;">E os alunos, alvoroçados, respondem que sim, todos comentando a notícia, falando do tamanho do navio, das pessoas salvas, das que morreram, mas principalmente do capitão incompetente. “Vá a bordo”, os alunos falam, gritam e dão risadas.</p>
<p style="text-align:justify;">- Pessoal, vocês sabem porque o navio quase afundou? pergunta o professor. Um aluno levanta a mão e diz:</p>
<p style="text-align:justify;">- Sei, claro. Porque o ele bateu nas pedras.</p>
<p style="text-align:justify;">O professor provoca os alunos dizendo que na verdade não foi porque o navio bateu nas pedras que afundou, mas por outra razão.</p>
<p style="text-align:justify;">- Na verdade, diz o prof., se não tivesse feito um buraco ou rachaduras muito grandes no casco do navio, ele não teria afundado. “Mas”, pergunta o professor aos alunos, “como é que um navio tão pesado não afunda de vez na água do mar?”</p>
<p style="text-align:justify;">Silêncio.</p>
<p style="text-align:justify;">O professor pega uma bacia cheia de água e chama os alunos em volta da mesa dele. Tira uma agulha do bolso e diz.</p>
<p style="text-align:justify;">- Vamos imaginar que esta agulha é o navio e a água da bacia é o mar.</p>
<p style="text-align:justify;">Com cuidado, coloca a agulha na água sem deixar ela afundar. Diz para os alunos não mexerem na agulha nem agitarem a água ou balançar e mesa, para a agulha, que fica boiando, não afundar.</p>
<p style="text-align:justify;">- Porque a agulha não afunda? pergunta o professor.</p>
<p style="text-align:justify;">Silêncio.</p>
<p style="text-align:justify;">- Porque a água é formada de átomos. Átomos de oxigênio e hidrogênio. Para formar uma molécula de água, um átomo de oxigênio se liga com dois átomos de hidrogênio, assim!</p>
<p style="text-align:justify;">E mostra um grade modelo da molécula de água, formado por uma esfera de isopor maior, pintada de vermelho, ligada com dois lápis a duas esferas de isopor menores pintadas de branco, que representam os átomos de hidrogênio. O professor prossegue&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">- Nas moléculas de água, o átomo de oxigênio, como vimos na aula passada, tem oito elétrons, oito prótons e oito nêutrons. Por isso ele tem que se ligar aos dois átomos de hidrogênio, para poder ficar com oito elétrons na camada de valência, lembram-se? Eu expliquei a “regra do octeto”. Lembram-se?</p>
<p style="text-align:justify;">Os alunos afirmam que sim.</p>
<p style="text-align:justify;">- Como o núcleo do átomo de oxigênio tem oito prótons, o átomo de oxigênio é bastante eletronegativo e vai atrair os elétrons dos átomos de hidrogênio, deixando estes com quase nenhum elétron. Como estes átomos de hidrogênio vão ficar quase sem elétrons, eles precisam de outros elétrons para compensar esta perda. A água tem milhões, bilhões, trilhões de moléculas de água, e por isso os átomos de hidrogênio de uma molécula de água vão encontrar átomos de oxigênio de outras moléculas de água. E, apesar destes átomos de oxigênio atrairem os elétrons dos hidrogênios aos quais estão ligados, eles podem compartilhar os outros quatro elétrons que eles têm com os hidrogênios de outras moléculas de água.</p>
<p style="text-align:justify;">O professor explica, desenhando as moléculas de água no quadro negro e mostrando átomos de oxigênio de algumas moléculas de água próximos dos átomos de hidrogênio de outras moléculas de água.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/tensao.jpg"><img class="alignright  wp-image-8030" title="tensao" src="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/tensao.jpg?w=283&#038;h=252" alt="" width="283" height="252" /></a>- E desta maneira, as moléculas de água vão começar a se atrair. E esta atração é muito forte. E mantém as moléculas de água muito unidas. Tão unidas que se a gente colocar uma agulha em cima da água, ela não afunda. Esta atração entre as moléculas de água dá origem a uma enorme rede de moléculas de água. E esta rede vai ter uma característica chamada de “tensão superficial”, que é justamente uma das características que sustenta outros objetos e corpos flutuando em cima de água. Para a flutuação do navio, a densidade da água é mais importante do que a tensão superficial, pois só a tensão não sustenta o navio sobre a água. Se houver uma falha na superfície do navio, como um buraco ou uma rachadura grande, ele não vai conseguir se manter flutuando, e afunda. O que mantém o navio flutuando é a superfície do casco do navio que é grande o suficiente para agüentar o peso do navio sobre a água, e a menor densidade do navio, já que está cheio de ar. Graças à menor densidade do navio, à tensão superficial da água, e uma força que a água exerce sobre o navio, chamada &#8220;empuxo&#8221; (o prof. de física vai explicar para vocês), o navio flutua.</p>
<p style="text-align:justify;">O professor mostra exemplos de rolha, de papel, fala das aranhas que andam por cima d’água, explica bastante como e porque todas estas coisas flutuam. E por fim pergunta:</p>
<p style="text-align:justify;">- E vocês também sabem que a água do mar é salgada, certo? Na aula que vem vamos falar do sal da água do mar.</p>
<p style="text-align:justify;">No editorial da edição de ontem da revista <em>Science</em>, Bruce Alberts comenta sobre o problema da linguagem utilizada no ensino de ciências. E do rigor científico. Conta que seus netos aprendem sobre as células memorizando os nomes das organelas celulares e os conceitos sobre estas, de maneira bastante chata. E pergunta se não está na hora de se rever as estratégias do ensino de ciências. Em vez de se ensinar conceitos complexos fazendo uso de regras, procedimentos e memorizações ad nauseam. Menciona o fato de, se as crianças não entenderem e gostarem do que aprendem, dificilmente assimilarão este conhecimento. E todo o investimento e esforço de ensinar serão perdidos.</p>
<p style="text-align:justify;">O prazer do aprendizado de ciências deve ser, mais do que nunca, valorizado. Muito mais do que obrigar os alunos à submissão do rigor científico, e decorar nomes de 10 enzimas que oxidam açúcares, no processo da glicólise. Bruce Alberts se queixa da banalização do ensino de ciências, e, ao mesmo tempo, como este se tornou complicado. Como conseqüência, os alunos acham muito chato aprender ciências (e outras matérias também?).</p>
<p style="text-align:justify;">O que fazer?</p>
<p style="text-align:justify;">Obviamente, não existem milagres. A boa formação de professores é uma etapa que não pode ser esquecida. E boa formação não só em termos de conhecimentos, mas também de todo o conjunto de técnicas pedagógicas que permitam o professor se tornar um elemento dinâmico no compartilhamento do conhecimento. Bons salários, boas condições de ensino, um sistema educativo moderno e comprometido com a excelência da formação dos alunos e a valorização dos professores. Quão distante está o sistema educativo brasileiro desta utopia? Sem um sistema de educação realmente de qualidade, de que vale a economia do Brasil ultrapassar a economia da Inglaterra até 2015?</p>
<p style="text-align:justify;">Muitas vezes a impressão que se tem é que estamos em um navio cheio de capitães incompetentes.</p>
<p><span style="float:left;padding:5px;"><a href="http://www.researchblogging.org"><img style="border:0;" src="http://www.researchblogging.org/public/citation_icons/rb2_small.png" alt="ResearchBlogging.org" /></a></span><span class="Z3988" title="ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Science&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1126%2Fscience.1218912&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Trivializing+Science+Education&amp;rft.issn=0036-8075&amp;rft.date=2012&amp;rft.volume=335&amp;rft.issue=6066&amp;rft.spage=263&amp;rft.epage=263&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.sciencemag.org%2Fcgi%2Fdoi%2F10.1126%2Fscience.1218912&amp;rft.au=Alberts%2C+B.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Chemistry%2CBiochemistry%2C+Organic+Chemistry">Alberts, B. (2012). Trivializing Science Education <span style="font-style:italic;">Science, 335</span> (6066), 263-263 DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1126/science.1218912" rev="review">10.1126/science.1218912</a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/quiprona.wordpress.com/8025/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/quiprona.wordpress.com/8025/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/quiprona.wordpress.com/8025/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/quiprona.wordpress.com/8025/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/quiprona.wordpress.com/8025/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/quiprona.wordpress.com/8025/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/quiprona.wordpress.com/8025/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/quiprona.wordpress.com/8025/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/quiprona.wordpress.com/8025/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/quiprona.wordpress.com/8025/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/quiprona.wordpress.com/8025/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/quiprona.wordpress.com/8025/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/quiprona.wordpress.com/8025/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/quiprona.wordpress.com/8025/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=8025&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Fungos &#8220;do bem&#8221; e fungos &#8220;do mal&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 01:16:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[biodiversidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Os fungos são seres curiosos. Tão únicos que formam um grupo de organismos classificado isoladamente: o Reino Fungi. São seres meio macabros, que se alimentam ou de matéria orgânica proveniente da decomposição de outros organismos, ou são parasitas. Mas justamente por processar a matéria orgânica em decomposição são essenciais para a “reciclagem” desta matéria orgânica. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=8013&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/cogumelos.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-8018" title="cogumelos" src="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/cogumelos.jpg?w=720" alt=""   /></a>Os fungos são seres curiosos. Tão únicos que formam um grupo de organismos classificado isoladamente: o Reino Fungi. São seres meio macabros, que se alimentam ou de matéria orgânica proveniente da decomposição de outros organismos, ou são parasitas. Mas justamente por processar a matéria orgânica em decomposição são essenciais para a “reciclagem” desta matéria orgânica. Dentre suas características particulares está a produção de substâncias químicas estruturalmente complexas. As penicilinas, por exemplo, descobertas no início do século XX, são produzidas por várias espécies de fungos do gênero <em>Penicillium</em>, como <em>Penicillium notatum</em>, objeto de estudo de Alexander Fleming, consierado o descobridor das penicilinas. Graças à sua potente atividade anti-bacteriana, as penicilinas foram utilizadas (e ainda são) como antibióticos desde a 2ª Guerra Mundial. Fungos do gênero <em>Penicillium</em> também são utilizados na fabricação de queijos do tipo “bleu” (azul), como o queijo Roquefort e o queijo Gorgonzola. Outros fungos classificados como leveduras são utilizados na fabricação de pães, e na fermentação da garapa da cana-de-açúcar, para se produzir aguardente e álcool combustível. Além disso, fungos entomopatogênicos (que causam doenças em insetos) são utilizados como controle biológico de pragas, como <em>Metarhizium anisopliae</em> e outros do gênero <em>Beauveria</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">O problema é que alguns fungos são bem nefastos, como os que causam doenças em humanos, animais e plantas. Uma das micoses de pele mais comum, a chamada Pitiríase versicolor, é causada pelo fungo <em>Malassezia furfur</em>, e é extremamente difícil de ser tratada. Um dos melhores remédios para esta micose é óleo de copaíba de boa qualidade, difícil de ser encontrado. Além de micoses em humanos, algumas espécies de fungos estão afetando severamente espécies de animais silvestres. Como morcegos, por exemplo.</p>
<p style="text-align:justify;">Notícia divulgada hoje pelo jornal Folha de S. Paulo (edição on-line, veja <a href="http://www1.folha.uol.com.br/bbc/1036609-fungo-ataca-nariz-de-morcegos-e-ameaca-especie-na-america-do-norte.shtml"><strong>aqui</strong></a>), conta que</p>
<p style="text-align:center;"><strong>Fungo ataca nariz de morcegos e ameaça espécie na América do Norte</strong> – BBC Brasil</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Um fungo já matou entre 5,7 milhões e 6,7 milhões de morcegos na América do Norte desde 2006, época em que foi detectado. A cifra estimada anteriormente, segundo autoridades ambientais do país, era de 1 milhão de mortes entre 2006 e 2009. O aumento registrado dá a entender que o fungo mortal tem se proliferado de forma preocupante.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O fungo Geomyces destructans ainda é pouco conhecido dos cientistas e causa uma doença chamada de &#8220;síndrome do nariz branco&#8221; (ou WNS, white nose syndrome, em inglês) por deixar um aro de pó branco sobre o nariz dos bichos infectados. Doentes, os morcegos passam a se comportar de maneira errática. Despertam durante o período de hibernação no inverno e morrem de frio ou fome ao empreender voos em busca de insetos. A síndrome foi identificada pela primeira vez em uma caverna em Albany, no Estado de Nova York, e desde então se espalhou para 16 Estados do noroeste e do sul dos EUA, além de quatro províncias canadenses.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>IMPACTO NOS HUMANOS</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Biólogos explicam que o declínio dos morcegos pode ter impacto para os seres humanos. Isso porque a redução dos animais faz com que aumente a populações de insetos, base de sua alimentação, com consequências para o preço de alimentos e da madeira caso o cultivo seja afetado por pragas mais intensas. Um estudo publicado na revista &#8220;Science&#8221; estimou, considerando as projeções de 2009 sobre a expansão da síndrome do nariz branco, que 1,3 mil toneladas métricas de insetos danosos aos cultivos não foram consumidas nos últimos três anos por conta na redução dos morcegos.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Preocupa ainda o fato de a síndrome do nariz branco ter uma mortalidade elevada &#8211;em algumas cavernas, o fungo causou a morte de 99% dos morcegos.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O alto número de morcegos mortos &#8220;mostra a gravidade da ameaça da síndrome do nariz branco, assim como o alcance do problema&#8221;, afirmou Dan Ashe, diretor do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA, que está monitorando os animais. &#8220;Os morcegos contribuem com a economia americana por controlarem pestes naturais em plantações e bosques e têm um papel essencial ao ajudar no controle dos insetos que podem transmitir doenças.&#8221;</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>&#8220;Em Estados como Nova York e Vermont e o sul de Ontário [Canadá], antecipamos que mais de 90% da população geral [de morcegos] será impactada&#8221;, advertiu Jeremy Coleman, coordenador nacional de combate a doenças do Serviço de Pesca e Vida Selvagem.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>ESTIMATIVAS</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>As cifras divulgadas pelo órgão foram compiladas a partir de dados de biólogos locais e de modelos matemáticos, para projetar as mortes de morcegos em áreas afetadas pelo fungo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Como os morcegos são difíceis de serem vistos e contados, os especialistas recorreram a fotografias. &#8220;Os morcegos de Indiana, por exemplo, podem se reunir em grupos de até 300 em um metro quadrado. Assim, podem ser contados de forma muito mais precisa (por meio de) imagens digitais&#8221;, explicou Coleman.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A esperança dos cientistas se concentra em algumas colônias ilhadas de morcegos no nordeste dos EUA, que estão saudáveis e não parecem ter sido afetadas pelo fungo. Ainda assim, o avanço da doença supera todas as previsões. Para Mollie Matteson, da ONG norte-americana Centro de Diversidade Biológica, &#8220;as novas estimativas evidenciam o fato de que temos que fazer mais para monitorar a expansão da síndrome o mais rápido possível&#8221;.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Por aqui, especialistas já verificaram que uma espécie de fungo comprometeu seriamente populações de caranguejos-uçá de mangues do nordeste, causando danos ao coração e necrosando o sistema nervoso dos crustáceos. Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná observaram a infestação de caranguejos pelo fungo, ainda desconhecido, desde o estado de Sergipe até o Espírito Santo (veja <a href="http://portalmaragojipe.com.br/blogueiros/2010/04/05/fungo-e-o-causador-da-morte-de-caranguejos-no-brasil/"><strong>aqui</strong></a>). Os caranguejos-uçá são comestíveis e são fonte de renda para os assim chamados &#8220;catadores de caranguejo&#8221;. Com o desaparecimento dos caranguejos, principalmente de mangues do nordeste, até festas regionais do sul da Bahia, como o Festival Nacional do Caranguejo-Uçá, passaram a discutir maneiras de se continuar a tradição de maneira sustentável (veja <a href="http://festivalnacionaldocaranguejo.blogspot.com/"><strong>aqui</strong></a>).</p>
<p style="text-align:justify;">Outra espécie de fungo, <em>Aspergillosis sydowii</em>, é responsável pela infestação e doenças de espécies de corais do Caribe. Descobriu-se que esta espécie de fungo é originária de desertos africanos (<a href="http://www.artificialreefs.org/Corals/diseasesfiles/Common%20Identified%20Coral%20Diseases.htm"><strong>aqui</strong></a>). Isso sem falar no fungo <em>Microcyclus ulei</em>, que foi responsável pelo comprometimento da produção da borracha no Brasil, pelo fato de infectar as seringueiras (Hevea brasiliensis) [1].</p>
<p style="text-align:justify;">Ainda não se sabe as razões pelas quais ocorrem surtos de patogenicidade destas espécies de fungos. Mas especialistas sobre o assunto acreditam que seja realmente importante se conhecer as razões e mecanismos pelos quais tais “surtos” de patogenicidade de fungos surgem pelo mundo (veja <a href="http://iom.edu/Activities/PublicHealth/MicrobialThreats/2010-DEC-14.aspx"><strong>aqui</strong></a>), para que se possa encontrar maneiras eficazes de se evitar o problema, que pode ter consequencias econômicas, de saúde pública e de meio ambiente significativas.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Referência</strong></p>
<p style="text-align:justify;">1. Dean, W. Brazil and the Struggle for Rubber &#8211; A study in Environmental History, Cambridge University Press, 1987.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/quiprona.wordpress.com/8013/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/quiprona.wordpress.com/8013/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/quiprona.wordpress.com/8013/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/quiprona.wordpress.com/8013/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/quiprona.wordpress.com/8013/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/quiprona.wordpress.com/8013/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/quiprona.wordpress.com/8013/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/quiprona.wordpress.com/8013/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/quiprona.wordpress.com/8013/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/quiprona.wordpress.com/8013/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/quiprona.wordpress.com/8013/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/quiprona.wordpress.com/8013/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/quiprona.wordpress.com/8013/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/quiprona.wordpress.com/8013/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=8013&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Revistas científicas brasileiras: como aumentar a visibilidade</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 10:36:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[cientometria]]></category>
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		<category><![CDATA[Maurício Rocha e Silva]]></category>
		<category><![CDATA[pós-graduação]]></category>
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		<description><![CDATA[Em entrevista concedida à revista Pesquisa FAPESP, o fisiologista Mauricio da Rocha e Silva relata sua trajetória da revista científica Clinics, e o trabalho que realizou para aumentar a visibilidade da revista sem incorrer em práticas de ética questionável. Mostra que usando estratégias inteligentes é possível inserir os periódicos brasileiros no concorrido cenário das publicações [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=8004&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/mrs.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-8005" title="MRS" src="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/mrs.jpg?w=720" alt=""   /></a>Em entrevista concedida à revista Pesquisa FAPESP, o fisiologista Mauricio da Rocha e Silva relata sua trajetória da revista científica <em>Clinics</em>, e o trabalho que realizou para aumentar a visibilidade da revista sem incorrer em práticas de ética questionável. Mostra que usando estratégias inteligentes é possível inserir os periódicos brasileiros no concorrido cenário das publicações internacionais. E ainda questiona com propriedade o sistema QUALIS de avaliação dos periódicos. Parte da entrevista, que diz respeito a este assunto, é transcrita a seguir.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4603&amp;bd=1&amp;pg=1"><strong>Mauricio da Rocha e Silva: O segredo da visibilidade</strong></a> &#8211; Neldson Marcolin e Ricardo Zorzetto</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Há sete anos o fisiologista Mauricio da Rocha e Silva trocou o laboratório pela redação. Às vésperas da aposentadoria na Universidade de São Paulo (USP) em 2004, decidiu que era hora de mudar de ringue e encarar novos problemas pelos quais valesse a pena se bater. Aceitou o desafio proposto pela Faculdade de Medicina de recriar a revista da casa de modo a transformá-la em uma publicação científica visível. Além das reformas necessárias para torná-la objeto de desejo dos pesquisadores da área médica, o mais importante era aumentar significativamente o fator de impacto (FI) da publicação. O FI é uma medida criada para estimar a influência de um periódico em uma área. Ele representa o número médio de vezes que um artigo daquela publicação é citado por outros trabalhos em certo período.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Até agora Rocha e Silva obteve sucesso. O FI da revista Clinics subiu de 0,35 para 1,54 sob a sua direção – e ele espera que passe de 2 até 2013. Ao mesmo tempo, Rocha e Silva assumiu a defesa das revistas científicas brasileiras contra os critérios do sistema Qualis de avaliação de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que considera injusto. Não é uma briga gratuita. Ele acredita que um país que almeje ter ciência de alta qualidade deve ter publicações que acolham e reflitam essa ciência com apoio mais criterioso e equilibrado dos órgãos de governo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Rocha e Silva é filho de Maurício Oscar da Rocha e Silva – descobridor nos anos 1940 da bradicinina, composto que originou uma linha de medicamentos contra a pressão alta –, de quem sofreu decisiva influência. Ele se refere ao pai frequentemente pelo primeiro nome, um distanciamento que espelha também admiração e respeito pela figura profissional. As contribuições científicas do filho passaram por estudos sobre o hormônio vasopressina e a hipertônica, uma solução de água e sal superconcentrada, capaz de restabelecer a circulação sanguínea em pessoas com hemorragias graves. A seguir, os principais trechos da entrevista.</em></p>
<p style="text-align:justify;">RPF &#8211; <em>O senhor está transformando a Clinics, uma revista que foi invisível por décadas, em uma publicação com bom fator de impacto. Como isso aconteceu?</em></p>
<p style="text-align:justify;">MRS &#8211; <em>A Clinics nasceu em 2005 de uma publicação anterior, a Revista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que era conhecida como a “Revista do HC” e havia sido importante quando foi criada, em 1946, dois anos depois da fundação do hospital. Por cinco anos, na década de 1990, havia zero citação. Isso significa que nem os próprios autores citavam os artigos que publicavam nela. Em 1998 me convidaram para assumir o periódico, mas não aceitei. As bibliotecas científicas eletrônicas SciELO [Science Eletronic Libray On-Line] e PubMed estavam engatinhando e faltavam seis anos para a minha aposentadoria.</em></p>
<p style="text-align:justify;">RPF &#8211; <em>Por que essa revista foi importante?</em></p>
<p style="text-align:justify;">MRS &#8211; <em>Ela trazia relatos dos casos complexos estudados no HC. Mas isso foi perdendo a importância e ela virou uma revista de pesquisa original. Nesse momento, enfrentou um problema comum a quase todas as revistas brasileiras do século passado, que era a invisibilidade. Além disso, havia uma postura xiita da comunidade científica brasileira de querer publicar artigos em português, argumentando que era importante defender a língua pátria. E isso quando as revistas francesas e alemãs estavam publicando em inglês, inclusive mudando de nome, nos anos 1980. A razão é conhecida há muito tempo: a língua da ciência é o inglês. No Brasil, a única revista que começou em inglês é a Brazilian Journal of Medical Biological Research, editada em Ribeirão Preto por Lewis Joel Greene, um americano naturalizado brasileiro. Foi o primeiro periódico na área da saúde a adquirir qualidade internacional. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, de 1909, era bilíngue no início, publicada em português e alemão. Essa começou bem, depois teve uma fase só em português em que apresentava apenas trabalhos da Fiocruz. Ficou duplamente prejudicada: em português e endógena. Nos anos 1980 eles começaram a fazer em inglês. Hoje é a melhor revista científica do Brasil. Ajuda o fato de eles terem um tema excelente, porque, afinal, o Instituto Oswaldo Cruz é pioneiro no mundo em medicina tropical, exótica. E eles aproveitam bem o nicho, publicam ciência boa. É a única brasileira cujo impacto já passou de 2.</em></p>
<p style="text-align:justify;">RPF &#8211; <em>Quem assumiu a “Revista do HC”?</em></p>
<p style="text-align:justify;">MRS &#8211; <em>O Pedro Puech-Leão, professor de cirurgia vascular aqui da casa. Ele fez mágica: a revista passou a sair em inglês, ganhou peer review sério e foi à caça de bons artigos. Saiu do zero absoluto. Quando peguei a revista, o impacto calculado era 0,35. Isso é um milagre maior do que ir de 0,35 para 1. Estar no zero significa que ninguém quer publicar.</em></p>
<p style="text-align:justify;">RPF &#8211; <em>E por que assumiu a revista em 2004?</em></p>
<p style="text-align:justify;">MRS &#8211; <em>Nesse ano o Pedro decidiu sair e o conselho deliberativo do HC me ofereceu outra vez a publicação. Fui almoçar com ele, que me disse, “Eles realmente querem criar uma revista decente; então você aceita, mas pede um enxoval completo, com tudo o que precisa para trabalhar, que eles vão te dar”. Outro detalhe me levou a aceitar. Nos anos 1990 fui do conselho editorial de uma revista americana, a Circulatory Shock. Como ela estava mal financeiramente, seus donos decidiram matar a revista e criar uma nova, chamada Shock. Fui um dos fundadores como membro editorial. Para dirigir veio um cientista muito bom em editoração. Aí fizemos um pacto de sangue. Combinamos que as 30 pessoas do corpo editorial teriam de mandar um artigo por ano para a Shock. E esse artigo teria de ser citado de três a quatro vezes nos dois anos seguintes em outras revistas do Primeiro Mundo. Todos fizeram. No primeiro ano, o impacto foi de 0,7. Tem de se considerar que uma revista americana entra no ISI [Institute for Scientific Information, serviço de bases bibliométricas que hoje faz parte da Thomson Reuters, responsável pelo cálculo do fator de impacto das publicações] no dia seguinte ao em que é criada e isso ajuda muito no impacto. Em 15 anos ela chegou a 3,5. Eu aprendi esses pulos de gato. Há alguns éticos e outros nem tanto. O editor da Shock é um modelo de comportamento ético.</em></p>
<p style="text-align:justify;">RPF &#8211; <em>O senhor decidiu usar esses métodos na Clinics?</em></p>
<p style="text-align:justify;">MRS &#8211; <em>Exatamente. Quando cheguei tinha aquele nome impossível. Havia 10 maneiras diferentes para procurar as citações. O Pedro queria mudar, mas temia perder o registro no PubMed [da National Library of Medicine, padrão ouro do sistema de periódicos na área da saúde]. Fui para Washington conversar com o pessoal da National Library of Medicine. Eles entenderam. No primeiro número, a Clinics já estava no PubMed. Falo bem inglês, fui educado nos Estados Unidos e na Inglaterra, então eles acham que não sou selvagem. Falar bem a língua deles e conversar pessoalmente faz diferença.</em></p>
<p style="text-align:justify;">RPF &#8211; <em>Como surgiu o nome novo?</em></p>
<p style="text-align:justify;">MRS &#8211; <em>O Pedro queria Clínicas. Mas tem acento, os estrangeiros iriam errar&#8230; Pensei em Clinics, descobrimos que o nome estava vago e registramos. Só depois descobrimos os benefícios colaterais. Não ter nome que denuncie a origem terceiro-mundista faz bem para o fator de impacto e para pedir artigos. Os chineses sabem disso. Não tem mais “Chinese Journal”. É tudo “International Journal”.</em></p>
<p style="text-align:justify;">RPF &#8211; <em>Quanto tempo levou a montagem dessa estratégia de levantar a revista?</em></p>
<p style="text-align:justify;">MRS &#8211; <em>Entramos no ISI em 2007. Leva três anos para aparecer o primeiro impacto. Em 2009 batemos em 1,59 e ficamos atrás apenas de Memórias. Em 2010 caímos um pouquinho, para 1,42, e estamos em terceiro. Os resultados de 2011 ainda não saíram, mas pelos meus cálculos  voltaremos para o segundo lugar. A revista de Manguinhos é meu modelo. Eles deram o primeiro salto acima de 2 publicando um suplemento sobre a doença de Chagas. Todo mundo cita. Então eu criei um suplemento sobre neurocomportamento, com artigos de revisão do Miguel Nicolelis e do inglês Timothy Bliss. O Bliss foi quem descobriu nos anos 1980 como os neurônios fixam a memória. Ele tem um artigo com mais de 5 mil citações. Nosso suplemento saiu em junho de 2011, mas leva seis meses para começarem a citar. Creio que passaremos de 2.</em></p>
<p style="text-align:justify;">RPF &#8211; <em>Por que é importante ter boas revistas aqui?</em></p>
<p style="text-align:justify;">MRS &#8211; <em>A ciência brasileira está progredindo e vai chegar a ser de alta qualidade. Se não tivermos  revistas nacionais capazes de espelhar esse tipo de ciência, ela vai direto para o exterior e  nossos autores podem enfrentar uma concorrência não muito leal dos editores estrangeiros protegendo a turma deles. É um imperativo de autonomia da ciência brasileira, talvez dentro de 10 anos, ter revistas brasileiras de alta qualidade. Precisamos ter alguns periódicos com impacto 4.</em></p>
<p style="text-align:justify;">RPF &#8211; <em>O senhor sempre publicou em inglês e no exterior?</em></p>
<p style="text-align:justify;">MRS &#8211; <em>Quando comecei a fazer ciência a primeira coisa que meu pai me ensinou foi: nunca publique numa revista brasileira, em português, se você puder publicar lá fora. E o Michel Rabinovitch, um grande professor, repetia a mesma coisa. Estamos falando de 1960. Ninguém lê português no exterior, não assinam revista do Terceiro Mundo e, se mandamos de graça, não expõem as bibliotecas. Publicar assim era esconder seus dados. Apesar de tudo, as revistas brasileiras vêm ganhando destaque. Isso ocorre hoje por causa da SciELO e do PubMed, que nasceram mais ou menos no mesmo período. A verdadeira revolução foi proporcionada pela invenção da internet. A partir de 1999, dava para entrar no site do PubMed de graça, colocar a palavra-chave e fazer a busca. Quando me formei, em 1961, eu visitava a biblioteca toda semana para ver o que tinha saído. Isso praticamente não existe mais. Basta acessar o site das publicações científicas para ver o que há de mais novo na área. A SciELO nasceu no Brasil, com apoio da FAPESP, na mesma época que o PubMed nos Estados Unidos. Foi uma ideia de gênio do Rogério Meneghini, de criar uma coleção de revistas que fossem selecionadas a sério, com acesso aberto instantâneo. Os artigos brasileiros ficaram visíveis. Em 10 anos, o acesso passou de zero para 100 milhões de downloads por ano.</em></p>
<p style="text-align:justify;">RPF &#8211; <em>Foi o que elevou a visibilidade das revistas brasileiras?</em></p>
<p style="text-align:justify;">MRS &#8211; <em>As revistas boas, como Memórias, Brazilian Journal, Journal of the Brazilian Chemical Society, passaram pelo número mágico e alcançaram fator de impacto maior que 1 em 2002. Nunca uma revista brasileira tinha alcançado isso. Hoje temos uma com impacto maior que 2 e 15 delas maior que 1.</em></p>
<p style="text-align:justify;">RPF &#8211; <em>Como é sua luta contra o sistema Qualis de avaliação de periódicos da Capes?</em></p>
<p style="text-align:justify;">MRS &#8211; <em>Escrevi um estudo acadêmico sobre isso que saiu em dezembro na Clinics. A Capes usa um sistema equivocado de avaliação de artigos científicos. Não é a única, os NIH [National Institutes of Health dos Estados Unidos e outras instituições] usam critérios semelhantes. Não sou só eu que o considero equivocado. O pai do fator de impacto, Eugene Garfield, já disse que usar o fator de impacto da revista na qual sai o artigo e dizer que o artigo é bom é um grave erro teórico. Todas as revistas têm uma distribuição de citações assimétrica. Quer dizer, 20% dos artigos concentram 50% das citações e os 20% mais baixos concentram 3% das citações. De maneira que no New England Journal of Medicine a revista médica de mais alto impacto do mundo, por exemplo, tem 20% de artigos que são muito pouco citados. Isso vale para qualquer revista. Para fazer esse trabalho estudei 60 revistas com impacto que ia de 1 a 50. Não encontrei nenhuma que não tivesse essa distribuição. O argumento da Capes e dos NIH é esse: se você publica numa boa revista, você é bom. Não é bem assim.</em></p>
<p style="text-align:justify;">RPF &#8211; <em>Como funciona o Qualis?</em></p>
<p style="text-align:justify;">MRS &#8211; <em>As revistas são classificadas em oito categorias. De A1 e A2, de B1 a B5 e C. As categorias superiores usam fator de impacto e as inferiores não. Então, se eu publico numa revista A1, ganho a nota de A1. Mas 70% dos artigos que saem na revista A1 não têm aquele bom nível de citação, que vem de 30% dos artigos. Por isso 70% dos artigos ali publicados recebem um upgrade equivalente ao dos outros 30%. Nenhuma revista brasileira é A1. Nas revistas de categorias intermediárias o problema é mais grave porque elas têm obrigatoriamente um limite inferior e um superior. Quem publica um artigo ali ganha a nota da revista. E tem 50% de chance de receber um upgrade. Eu fiz essa conta, que está no meu artigo. Mas quem publica nessa revista tem 20% de risco de estar sendo rebaixado, porque o seu artigo tem mais citações do que a média de citações daquela da revista. Se 20% concentram 50% das citações, é claro que no meio desses há artigos com muito mais citações do que a média dessa faixa.</em></p>
<p style="text-align:justify;">RPF &#8211; <em>Mas a probabilidade maior é de o artigo ser “levantado”?</em></p>
<p style="text-align:justify;">MRS &#8211; <em>É. Mas existe uma possibilidade, que não é desprezível, de você estar sendo rebaixado por causa do sistema de faixa. A Capes não está dando nota para a revista, o que ela está fazendo é dar nota para os artigos das áreas de pós-gradua-ção que saem nas revistas. Eles dizem isso – e é verdade. Só que na hora em que atribuem classificação baixa a uma revista, eles estão dizendo para os pós-graduandos e seus orientadores, “Não publiquem nessa revista se você puder publicar em uma com fator de impacto mais alto”. Ou seja, não classificam a revista, mas a prejudicam. A minha briga é puxar o impacto para cima. Se o Qualis não tivesse esse problema interno, daqui a 10 anos teríamos uma coleção de grandes revistas internacionais brasileiras porque haveria um estímulo à publicação. Antes que pensem que estou de mal com a Capes, faço questão de dizer: ela é muito importante, é o motor da pós-graduação brasileira e, assim, da produção científica. O portal de periódicos Capes é fantástico. A única besteira é o Qualis.</em></p>
<p style="text-align:justify;">RPF &#8211; <em>Mas em algum momento o sistema de avaliação da Capes incentivou os pesquisadores a publicarem mais?</em></p>
<p style="text-align:justify;">MRS &#8211; <em>Sim. Alguma forma de avaliação dos artigos da pós-graduação é essencial. O Qualis anterior tinha um defeito grave: era muito frouxo e permissivo. Todos conseguiam nota máxima pelas suas publicações. Mudaram e criaram o novo Qualis em 2008, que acho que está mais ou menos certo para Harvard, mas não para a comunidade científica brasileira. Talvez tenham apertado demais o cinto das pós-graduações – e apertado errado.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Leia o restante da entrevista de Maurício Rocha e Silva à Revista Pesquisa FAPESP, <a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4603&amp;bd=1&amp;pg=1"><strong>aqui</strong></a>.</p>
<p style="text-align:justify;">A entrevista do Prof. Rocha e Silva é muito esclarecedora. Mostra que é possível se valorizar as publicações científicas brasileiras, a grande maioria financiada por recursos públicos. Mas para isso é necessário que estas adotem estratégias para aumentar sua visibilidade, como por exemplo: publicar mais, ou exclusivamente, artigos em inglês; diminuir o tempo de avaliação, editoração e publicação dos artigos; ao invés de solicitar para os autores que incluam em seu artigo submetido citações de artigos publicados na mesma revista, serem mais criteriosos na seleção de artigos que sabem que eventualmente serão citados por estes e outros autores em seus artigos publicados em revistas internacionais.</p>
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		<title>Pesquisa científica = aumento produção agrícola sem (mais) desmatamento</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 09:58:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[biodiversidade]]></category>
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		<category><![CDATA[produção agrícola]]></category>

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		<description><![CDATA[Reportagem publicada há dois dias atrás no boletim da Agência FAPESP mostra que, ao contrário do que muitos congressistas dizem, é possível, SIM, se aumentar a produtividade agrícola sem aumentar o desmatamento. Basta utilizar resultados de pesquisa desenvolvida aqui no Brasil, e no exterior, para aprimorar as técnicas de produção. Redução do desmatamento com aumento [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=7997&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/agricultura.jpg"><img class="alignleft  wp-image-7999" title="agricultura" src="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/agricultura.jpg?w=269&#038;h=180" alt="" width="269" height="180" /></a>Reportagem publicada há dois dias atrás no boletim da Agência FAPESP mostra que, ao contrário do que muitos congressistas dizem, é possível, SIM, se aumentar a produtividade agrícola sem aumentar o desmatamento. Basta utilizar resultados de pesquisa desenvolvida aqui no Brasil, e no exterior, para aprimorar as técnicas de produção.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://agencia.fapesp.br/15033"><strong>Redução do desmatamento com aumento da produção agrícola</strong></a> &#8211; Por Elton Alisson</p>
<p style="text-align:justify;">Agência FAPESP – <em>A produção de soja no Mato Grosso aumentou mais de 30% entre 2006 e 2010, saltando de 15,6 milhões para 20,5 milhões de toneladas. Em paralelo a esse crescimento da produção agrícola, o desmatamento no estado, que é responsável por 31% da soja produzida pelo país e liderou a derrubada de árvores na Amazônia no início dos anos 2000, também diminuiu 30% no mesmo período, atingindo 850 km² em 2010 – o que representa 11% de sua média histórica de 7.600 km² registrada entre 1996 e 2005.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A mudança foi obtida por meio do aumento na produtividade e na utilização de áreas já desmatadas para o cultivo da oleaginosa, dispensando a necessidade de desmatar mais áreas de floresta, aponta um estudo internacional com participação brasileira.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Os resultados da pesquisa foram publicados nesta semana no site e em breve sairão na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O trabalho teve a participação de Yosio Shimabukuro, da Divisão de Sensoriamento Remoto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de Cláudia Stickler, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), e de Marcia Macedo, da Universidade de Columbia, além de cientistas da agência espacial Nasa e do Woods Hole Research Center, dos Estados Unidos.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Combinando dados de satélite com estatísticas governamentais de desmatamento e de produção agrícola no Mato Grosso nos anos 2000, os pesquisadores constataram que a queda nos índices de desmatamento na região no período de 2006 a 2010 – em um período histórico de expansão da agricultura no estado – foi causada, principalmente, por mudanças no uso da terra.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Segundo eles, o aumento da produção de soja em Mato Grosso de 2001 a 2005 foi devido, majoritariamente, à expansão do cultivo da leguminosa em áreas anteriormente dedicadas à pastagem (74%), seguidas de áreas de florestas (26%).</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Já de 2006 a 2010, 22% do aumento da produção foi obtido pelo aumento da produtividade da cultura e 78% à expansão da área de cultivo, em sua maioria (91%) em áreas que já haviam sido desmatadas. Por sua vez, o desmatamento para expansão de áreas de plantio no estado caiu de 10% para 2% entre os períodos de 2001-2005 a 2006-2010.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>“A pesquisa mostra uma desvinculação entre o crescimento da produção de soja e o desmatamento no Mato Grosso que poderia servir de modelo para outros estados da Amazônia”, disse Shimabukuro à Agência FAPESP.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>“Seria possível evitar o desmatamento nesses estados por meio da melhor utilização de áreas de plantio já disponíveis e aumentando a produtividade da cultura, que é o que ocorre, por exemplo, na região Sudeste, onde as técnicas agrícolas são melhores”, comparou.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O cientista coordena o projeto “<a href="http://www.bv.fapesp.br/pt/projetos-regulares/31887/uso-dados-orbitais-determinar-area/"><strong>Uso de dados orbitais para determinar a área de fogo ativo e modelagem numérica da injeção de gases traços e aerossóis a partir da energia radiativa do fogo</strong></a>”, apoiado pela FAPESP, e é um dos pesquisadores principais do Temático“<a href="http://www.bv.fapesp.br/pt/projetos-tematicos/6499/land-use-change-amazonia-institutional/"><strong>Land use change in Amazonia: institutional analysis and modeling at multiple temporal and spatial scales</strong></a>”.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Segundo ele, outra constatação do estudo foi que o declínio do desmatamento no Mato Grosso entre 2006 e 2010 coincidiu com a implementação de diversas iniciativas governamentais para reduzir o desmatamento na região.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Em 2004, por exemplo, o governo federal estabeleceu o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAM) e incumbiu os estados amazônicos de desenvolver e implementar seus próprios programas de controle de desmatamento.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Já em 2006, foi criada a “moratória da soja” entre as principais entidades representativas dos produtores de soja, ONGs e governo. O pacto ambiental estabeleceu o compromisso de não comercializar o grão originário de áreas desmatadas do bioma amazônico.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Finalmente, em 2008, foi criada uma “lista negra” dos municípios amazônicos com maiores índices de desmatamento, que impôs uma série de sanções aos desmatadores dessas regiões. Entre elas, a eliminação de subsídios, redução de crédito agrícola e a exclusão da cadeia de fornecedores dos grandes exportadores, entre outras medidas.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>“Parte da queda do desmatamento foi causada por um controle mais rígido do governo das atividades que podem causar desmatamento, que funcionaram para todos os estados da Amazônia”, disse Shimabukuro.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Segundo o pesquisador, diferentemente do que poderia ocorrer, não foram encontradas evidências de que a redução do desmatamento no Mato Grosso resultou em um aumento da produção de soja e da derrubada de árvores em outros estados da Amazônia que compõem o “arco do desmatamento” , como Rondônia e Pará.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O estudo indicou que o desmatamento nesses dois estados também caiu no mesmo período. “Isso prova que o problema não foi transferido para o outro lado”, avaliou.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Sensor Modis</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Os pesquisadores utilizaram no estudo dados do sensor Modis (sigla em inglês de Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer), que integra o satélite Terra (conhecido como EOS-AM), lançado pela Nasa em 1999.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>De acordo com Shimabukuro, o sensor é um dos melhores do satélite Terra para analisar grandes regiões, porque visualiza e capta imagens de toda a superfície do planeta quase que diariamente e, portanto, dispõe de dados da região do Mato Grosso desde 2000 – o período inicial de avaliação da pesquisa. “O sensor permitiu verificarmos se as novas áreas de plantação de soja no estado estavam localizadas nas áreas previamente desmatadas ou não”, explicou.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Shimabukuro participou do estudo por meio de uma colaboração que iniciou com uma das principais pesquisadoras do projeto, Ruth DeFries, da Universidade de Columbia, por meio de projetos do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e por meio de projetos de pesquisa sobre sensoriamento remoto do Mato Grosso, realizados com apoio da FAPESP.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O artigo Decoupling of deforestation and soy production in the southern Amazon during the late 2000s (doi: 10.1073/pnas.1111374109), de Yosio Edemir Shimabukuro e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da PNAS em <a href="http://www.pnas.org/content/early/2012/01/06/1111374109"><strong>www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1111374109</strong></a>.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Como dito a postagem anterior deste blog, é um total contra-senso nossos representantes no congresso simplesmente ignorarem os avanços científicos decorrentes de pesquisa feita no Brasil, financiados com recursos públicos, quando da elaboração do novo Código Florestal. O Código será votado em breve, entre fevereiro e março, e poderá anistiar produtores de gado e agrícolas que já desmataram grandes áreas, inclusive de reservas legais. Como mostra a reportagem acima, aumento da produção não implica necessariamente em aumento de desmatamento. Logo, o texto do Código Florestal deve considerar que os avanços científicos podem, SIM, contribuir para uma maior produção agrícola aliada a práticas de conservação e diminuição da destruição de recursos naturais.</p>
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		<title>Financiamento da pesquisa e colaboração científica no contexto mundial e nacional</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 21:53:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O financiamento da pesquisa científica parece estar no centro de preocupações neste início de 2012. A razão é simples: sem dinheiro não se faz pesquisa. Isso é absolutamente óbvio. Porém, menos evidente é como justificar o financiamento da pesquisa. E para que. Pois bem, dois artigos publicados em duas dentre as mais importantes revistas científicas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=7948&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/scientific-research.jpg"><img class="alignleft  wp-image-7958" title="scientific-research" src="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/scientific-research.jpg?w=230&#038;h=307" alt="" width="230" height="307" /></a>O financiamento da pesquisa científica parece estar no centro de preocupações neste início de 2012. A razão é simples: sem dinheiro não se faz pesquisa. Isso é absolutamente óbvio. Porém, menos evidente é como justificar o financiamento da pesquisa. E para que. Pois bem, dois artigos publicados em duas dentre as mais importantes revistas científicas discutem exatamente este assunto.</p>
<p style="text-align:justify;">Daniela Kneiβl e Helmutz Schwarz [1] fazem uma forte apologia para o financiamento da pesquisa fundamental. Citando Alexander Von Humbodt (naturalista alemão, 1769 —1859), Schiller (poeta alemão, 1759 —1805), Michael Faraday (físico inglês, 1791 —1867), o compositor W. A. Mozart, Goethe (poeta alemão, 1749 —1832), Watson and Crick (os descobridores da estrutura do DNA), Lao Tsé (aprox. século VII a.C.) e Kant (filósofo alemão, 1724 —1804), os autores ressaltam a importância da ciência básica, valorizando a pesquisa voltada para a investigação do desconhecido, de alto risco, que deve ser generosamente financiada, no mais das vezes conduzida por pesquisadores individuais. Segundo, Kneiβl e Schwarz, pesquisadores individuais devem dispor de recursos financeiros abundantes para realizar projetos científicos de excelência. Dizem que esta é a pesquisa que é realmente importante para ser conduzida nas universidades. E que está ameaçada. Ameaçada pelas pressões econômicas, pela ignorância do público em reconhecer que a pesquisa fundamental sustentada por recursos públicos não é uma luxúria ou subsídio, e sim uma realização cultural.</p>
<p style="text-align:justify;">Os autores são contra a especialização prematura do estudante pesquisador, que pode, desta forma, ser tornar um bom técnico científico, sem ter uma formação ampla para se tornar um verdadeiro pesquisador cientista. E terminam seu artigo citando Vannevar Bush (quem estruturou o sistema de financiamento da pesquisa nos EUA após a 2ª Guerra Mundial), em palestra apresentada na Harvard Commencement Speech 1945 (referência não fornecida pelos autores):</p>
<p style="padding-left:60px;text-align:justify;">“Scientific progress on a broad front results from the free interplay of free intellectuals, working on subjects of their own choice, in the manner dictated by their curiosity for exploration of the unknown.”</p>
<p style="text-align:justify;">Com visão praticamente oposta, Daniel Sarewitz, colunista da <em>Nature</em>, e autor dos livros “Frontiers Of Illusion: Science, Technology and the Politics of Progress”, “The Techno-Human Condition” (junto com Braden R. Allenby), “Shaping Science and Technology Policy: The Next Generation of Research (Science and Technology in Society)” (junto com David H. Guston), traça um panorama bastante diverso do financiamento à pesquisa nos EUA [2]. Sarewitz, um estudioso sobre o assunto (ele é co-diretor do Consortium for Science, Policy and Outcomes da Arizona State University) apresenta dados que mostram que a pesquisa desenvolvida por agências governamentais norte-americanas, como a United States Geological Survey, a National Oceanic and Atmospheric Administration, a Environmental Protection Agency, o National Institute of Standards and Technology, os Centers for Disease Control and Prevention, e até o Departamento de Defesa dos EUA, tiveram um aumento orçamentário muito menor do que a inflação durante os últimos 15 anos. Ao contrário do financiamento direcionado para o National Institutes of Health e a National Science Foundation, que tiveram seus orçamentos triplicado e duplicado, respectivamente.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/danielsarewitz.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-7960" title="danielsarewitz" src="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/danielsarewitz.jpg?w=720" alt=""   /></a>O ponto que Sarewitz apresenta é que estas agências desenvolvem a assim chamada “mission-agency research” (pesquisa de agências com propósitos, no sentido destas desenvolverem pesquisa relativamente específica, direcionada), que não necessariamente é a pesquisa mais nobre, na fronteira da ciência, realizada por instituições de excelência, como muitas universidades, por exemplo. Mas são pesquisas absolutamente essenciais para o bem estar social e o bom funcionamento da sociedade: prevenção de desastres naturais, proteção e monitoramento ambiental, ameaças à saúde pública, doenças infecciosas emergentes e o desenvolvimento de padrões e medidas para promover inovação tecnológica. Uma pesquisa voltada para as reais necessidades sociais. Fato interessante, Sarewitz também cita Vannevar Bush, mas o famoso texto deste, “Science – The Endless Frontier” (veja <a href="http://www.nsf.gov/od/lpa/nsf50/vbush1945.htm"><strong>aqui</strong></a>), dizendo que V. Bush defendia a idéia que o governo dos EUA deveria financiar a pesquisa aplicada, desde que também financiasse a pesquisa básica.</p>
<p style="text-align:justify;">Sarewitz alerta para o problema em se apoiar somente a pesquisa pura, pois esta é financiada pela sociedade. E que, portanto, a pesquisa voltada para o entendimento e resolução de problemas sociais, ou que resulte em políticas públicas efetivas, deve ser igualmente apoiada. Principalmente considerando-se o quadro econômico atual, sob pena de, em um futuro não muito distante, a própria ciência fundamental ter seu financiamento comprometido. Afinal, quem sustenta boa parte da pesquisa fundamental no mundo todo é a sociedade.</p>
<p style="text-align:justify;">Os dois artigos se complementam e devem, ambos, ser fruto de reflexão e discussão por parte dos pesquisadores e dos gestores de ciência e tecnologia no Brasil. Afinal, o bom financiamento da pesquisa científica, com critérios, com avaliação e transparência, é uma premissa básica para se desenvolver pesquisa de boa qualidade. De outra forma, esta será inevitavelmente comprometida. E o custo do financiamento da pesquisa não é pequeno. Somente no financiamento do programa “Ciência sem Fronteiras”, de bolsas de estudo para o exterior, o governo brasileiro investirá R$ 3,2 bilhões até 2014 (veja <a href="http://blog.planalto.gov.br/presidenta-dilma-afirma-que-ciencia-sem-fronteiras-e-impulso-inedito-para-formacao-cientifica-e-tecnologica-dos-jovens-talentos/"><strong>aqui</strong></a>).</p>
<p style="text-align:justify;">Fato é que o financiamento da pesquisa científica no Brasil deixou de ser um bicho-de-sete-cabeças. Com a estabilização da moeda (o real), verifica-se que a verba destinada para o financiamento científico aumentou de maneira significativa e consistente desde 1994, quando o real foi implantado. Antes o financiamento era esporádico e, quando se conseguia verba, tinha que se gastar rapidamente por causa da desvalorização do dinheiro, em decorrência da inflação (que era muito alta). Hoje somas de dinheiro consideráveis são aprovadas até mesmo para projetos individuais. Isso é ótimo. Sem dúvida que isso levará a um aumento significativo nos outputs (realizações) e outcomes (resultados) dos projetos científicos atualmente em financiamento, e levará o país a atingir um novo patamar de inserção no panorama científico internacional.</p>
<p style="text-align:justify;">Todavia, levando-se em conta que a maior parte da pesquisa científica realizada no Brasil é financiada com recursos públicos (vejam o gráfico a seguir), nada mais justo do que a comunidade científica esteja atenta aos problemas que o país enfrenta. Nas mais diversas esferas. Mesmo porque a pesquisa financiada pela iniciativa privada serve à própria; uma parcela muito pequena dos recursos privados é aplicada em pesquisa acadêmica ou em institutos e centros de pesquisa públicos [3], como Butantan, Fiocruz, Adolfo Lutz, EMBRAPA, etc. Por exemplo, em março de 2011 o presidente da Petrobrás declarou que a empresa nacional de capital misto deverá investir R$ 1,4 bilhão em projetos de pesquisa em parceria com universidades até 2014 (veja <a href="http://www1.folha.uol.com.br/mercado/891641-petrobras-investe-r-14-bilhao-em-pesquisa.shtml"><strong>aqui</strong></a>). Este montante representa 0,5% dos investimentos da empresa em projetos de exploração e produção, refino, transporte, comercialização e petroquímica, gás natural e fertilizantes, e biocombustíveis (veja <a href="http://www.petrobras.com.br/pt/noticias/conheca-nossos-investimentos-para-os-proximos-anos/"><strong>aqui</strong></a>).</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/dispendio-pesquisa-br-2000-2008.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7986" title="dispendio-pesquisa-BR-2000-2008" src="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/dispendio-pesquisa-br-2000-2008.jpg?w=720" alt=""   /></a>GERD: Gross Domestic Expenditure on Research and Development (Dispêndio Interno Bruto em Pesquisa e Desenvolvimento); GDP: Gross Domestic Product (Produto Interno Bruto, PIB) [4].</p>
<p style="text-align:justify;">Outro aspecto importante, que mudou muito o panorama da pesquisa não só no Brasil nos últimos anos, é a formação de grandes equipes de pesquisadores para enfrentar desafios científicos consideráveis. Projetos como o mapeamento do genoma humano e do laboratório CERN, e a formação de redes de pesquisa de tamanho impressionante, se tornam cada vez mais presentes no meio acadêmico e de pesquisa em geral.</p>
<p style="text-align:justify;">Neste sentido, artigo publicado no boletim da American Association for the Advancement of Science ressalta a importância dos programas de colaboração multi-nacionais para a pesquisa de excelência em todo o mundo [5]. A notícia toma por base as discussões realizadas no World Science Forum em Budapeste (Hungria). Debatedores de vários países defenderam a ideia de se promover esforços científicos internacionais para buscar soluções de problemas relacionados à produção agrícola, geração e fornecimento de energia, crescimento populacional e saúde. Para que iniciativas desta natureza possam ser efetivas, devem ser estabelecidos critérios de ética científica, educação científica, revisão por pares e propriedade intelectual que sejam comuns em todo o mundo. De outra forma, tais programas de colaboração internacional dificilmente poderão ser levados adiante.</p>
<p style="text-align:justify;">Representantes de vários países, presentes no World Science Forum (<a href="http://www.sciforum.hu/"><strong>aqui</strong></a>), apresentaram pontos importantes, como a importância de se coordenar projetos relacionados aos desafios mundiais, dentre os quais a promoção do conhecimento científico e a diminuição das disparidades econômicas e sociais. Para isso, julgam ser necessário que a comunidade científica trabalhe de forma coerente e compatível, promovendo uma cultura científica. Porque mais do que nunca a importância da ciência na resolução de problemas é um fator chave para o desenvolvimento das nações e para a formatação de um modelo de sustentabilidade mundial.</p>
<p style="text-align:justify;">Os participantes chamaram a atenção para o fato de que nações como Índia e China estão investindo grande somas em pesquisa científica. Mas os países desenvolvidos, menos. Embora as razões disso não sejam discutidas no artigo da AAAS, são mais do que claras. É evidente que a China e a Índia estão, antes de mais nada, tentando recuperar o tempo perdido e reduzir o gap (intervalo) científico com as nações desenvolvidas. E ao mesmo tempo tentando atingir patamares de pesquisa científica de excelência.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/wsf.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-7961" title="WSF" src="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/wsf.jpg?w=720" alt=""   /></a>Segundo os participantes no World Science Forum, o quadro atual nunca foi tão favorável para a criação de um amplo sistema de colaboração científica. Mobilidade científica, facilidade para obter financiamento internacional, diretrizes e procedimentos mais uniformes tendem a facilitar o intercâmbio de pesquisadores de todo o mundo. Com isso, surge uma nova tendência na ciência: a cooperação muito mais do que competição. Um dos objetivos de iniciativas desta natureza é evitar a duplicação de esforços, de se reduzir de desperdício de verbas, e se buscar soluções comuns.</p>
<p style="text-align:justify;">Vários países iniciaram programas deste tipo. No Reino Unido, a Royal Society estabeleceu o International Exchanges programme e o Newton International Fellowships. A iniciativa da UNESCO em criar anos temáticos voltados para assuntos relacionados à ciência é outra: 2007-2008 foi o Ano Polar Internacional, 2010 o Ano Internacional da Biodiversidade e 2011 o Ano Internacional da Química. Os resultados observados foram extremamente significativos quando se verifica que o grau de colaboração internacional entre pesquisadores tem crescido substancialmente nos últimos anos.</p>
<p style="text-align:justify;">O artigo da AAAS espera que a Rio+20 seja outra oportunidade para se promover a ciência colaborativa em nível mundial, para se abordar problemas de sustentabilidade, economia verde e conservação da biodiversidade.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao que tudo indica, mais do que nunca o mundo está acordando para a importância da ciência. Seria muito bom que nossos governantes, administradores e gestores públicos aqui no Brasil também acordassem. Em março será votado no congresso o texto final do Código Florestal. Em artigo publicado nesta última sexta feira no jornal O Estado de São Paulo (veja <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,um-bom-momento-para-tomar-juizo-,822180,0.htm"><strong>aqui</strong></a>), Washington Novaes chama atenção para o fato de nossos representantes no poder legislativo ainda não terem levado em conta a expertise dos cientistas e pesquisadores brasileiros na proposição de um texto mais adequado para o Código. Expertise esta que pode influenciar diretamente na minimização dos problemas de enchentes, deslizamentos de terra, e outras catástrofes naturais que estão se tornando rotina nos verões brasileiros por absoluta incompetência de nossos governantes. É absolutamente inaceitável, e um total contra-senso, que o conhecimento gerado pelos pesquisadores brasileiros e estrangeiros, financiado em boa parte pela sociedade, seja ignorado por nossos representantes do poder legislativo (mas nem todos; veja <a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=80299"><strong>aqui</strong></a>).</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Referências</strong><br />
1. Kneiβl, D. e Schwarz, H., <strong>Fundamental Research Needs Excellent Scientists and its Own Space</strong>. <em>Angew. Chem. Int. Ed</em>. <strong>2011</strong>, <em>50</em>, 12370 – 12371. (veja <strong><a href="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/fundamental-research-needs-excellent.pdf">aqui</a></strong>)<br />
2. Sarewitz, D., <strong>Blue-sky bias should be brought down to Earth</strong>. <em>Nature</em> <strong>2012</strong>, <em>48</em>, 7. (veja <a href="http://www.nature.com/news/blue-sky-bias-should-be-brought-down-to-earth-1.9722"><strong>aqui</strong></a>)</p>
<p style="text-align:justify;">3. Em 2000, as empresas norte-americanas aplicaram 1,28% dos seus investimentos de pesquisa em parcerias com universidades. Considera-se que este quadro não tenha mudado significativamente nos últimos 10 anos (cf. Cruz, C.H.B., &#8220;Pesquisa e Universidade&#8221;, em Ensino Superior: Conceito e Dinâmica, ed. por J. Steiner e G. Mahlnic, EDUSP, São Paulo, 2006, pp. 41-63). No Brasil, o financiamento da pesquisa oriundo da iniciativa privada deve ser bastante similar à dos EUA.</p>
<p style="text-align:justify;"><span class="Apple-style-span">4. Cruz, C.H.B. e Chaimovich, H. <strong>Brazil</strong>. <em>UNESCO Science Reports</em>, <strong>2010</strong><em></em>, 102-121. (<a href="http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/HQ/SC/pdf/sc_usr10_brazil_EN.pdf"><strong>aqui</strong></a>)</span></p>
<p>5. AAAS News, <strong>Leaders at World Science Forum in Budapest Urge “Coherent and Compatible” Global Science Standards</strong>, 5 de janeiro 2012. (veja <a href="http://www.aaas.org/news/releases/2012/0105wsf_aaas_panel.shtml?sa_campaign=Internal_Ads/AAAS/RSS_News/2012-01-05/"><strong>aqui</strong></a>)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/quiprona.wordpress.com/7948/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/quiprona.wordpress.com/7948/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/quiprona.wordpress.com/7948/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/quiprona.wordpress.com/7948/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/quiprona.wordpress.com/7948/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/quiprona.wordpress.com/7948/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/quiprona.wordpress.com/7948/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/quiprona.wordpress.com/7948/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/quiprona.wordpress.com/7948/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/quiprona.wordpress.com/7948/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/quiprona.wordpress.com/7948/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/quiprona.wordpress.com/7948/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/quiprona.wordpress.com/7948/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/quiprona.wordpress.com/7948/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=7948&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>CNPq agiliza processos de acesso a recursos da biodiversidade</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 17:58:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Deu no Jornal da Ciência e-mail de hoje. O Conselho de Gestão do Patrimônio Genético ampliou o credenciamento do CNPq para emitir autorizações de acesso para pesquisa, bioprospecção e desenvolvimento tecnológico. A solicitação de autorização para o acesso ao patrimônio genético para fins de bioprospecção, pesquisa e exploração comercial já pode ser feita diretamente na [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=7944&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/cnpq1.png"><img class="alignleft  wp-image-7945" title="cnpq1" src="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/cnpq1.png?w=219&#038;h=153" alt="" width="219" height="153" /></a>Deu no <a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=80726"><strong>Jornal da Ciência e-mail de hoje</strong></a>.</p>
<p style="text-align:justify;">O Conselho de Gestão do Patrimônio Genético ampliou o credenciamento do CNPq para emitir autorizações de acesso para pesquisa, bioprospecção e desenvolvimento tecnológico.</p>
<p>A solicitação de autorização para o acesso ao patrimônio genético para fins de bioprospecção, pesquisa e exploração comercial já pode ser feita diretamente na página eletrônica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq).</p>
<p style="text-align:justify;">O credenciamento do CNPq é de 2009, mas o sistema integrado e automatizado ampliado para bioprospecção e desenvolvimento tecnológico é o primeiro a entrar em operação. Em fase de testes, ele foi desenvolvido com o apoio da Diretoria de Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente, para agilizar a análise dos processos.</p>
<p style="text-align:justify;">O Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN) ampliou o credenciamento do CNPq para emitir autorizações de acesso para pesquisa, bioprospecção e desenvolvimento tecnológico, mas ele não poderá autorizar atividades que envolvam o conhecimento tradicional associado, que deve ser buscada junto ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).</p>
<p style="text-align:justify;">O novo sistema do CNPq integra a plataforma Carlos Chagas. As informações devem ser fornecidas exclusivamente por meio eletrônico, dispensando o uso de documentos impressos. Com a descentralização, as autorizações de acesso ao patrimônio genético poderão ser obtidas de forma mais eficiente e ágil.</p>
<p style="text-align:justify;">Regularizados &#8211; A Natura Inovação e Tecnologia de Produtos Ltda é a primeira empresa beneficiada pela Resolução que definiu normas para regularizar o acesso e compartilhamento dos benefícios oriundos da utilização da biodiversidade e do conhecimento tradicional associado.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela teve atendidas três solicitações de regularização pendentes para pesquisa e exploração comercial de produtos. As regras asseguram às comunidades envolvidas a participação nos benefícios oriundos da comercialização de produtos desenvolvidos à partir dos recursos genéticos, que são componentes da biodiversidade, e também pelo uso dos conhecimentos tradicionais envolvidos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/quiprona.wordpress.com/7944/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/quiprona.wordpress.com/7944/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/quiprona.wordpress.com/7944/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/quiprona.wordpress.com/7944/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/quiprona.wordpress.com/7944/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/quiprona.wordpress.com/7944/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/quiprona.wordpress.com/7944/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/quiprona.wordpress.com/7944/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/quiprona.wordpress.com/7944/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/quiprona.wordpress.com/7944/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/quiprona.wordpress.com/7944/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/quiprona.wordpress.com/7944/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/quiprona.wordpress.com/7944/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/quiprona.wordpress.com/7944/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=7944&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Belo Monte: quem tem razão?</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 06:38:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A usina hidrelétrica de Belo Monte é atualmente objeto de muita discussão e polêmica. A mais recente é a produção de um vídeo de alunos da UNICAMP (veja aqui), em que questionam vídeos anteriores nos quais participaram atores da Rede Globo defendendo a não construção da usina (veja aqui). Será que a questão aqui não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=7937&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/hidreletrica-belo-monte.jpg"><img class="alignleft  wp-image-7938" title="hidreletrica-belo-monte" src="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/hidreletrica-belo-monte.jpg?w=308&#038;h=174" alt="" width="308" height="174" /></a>A usina hidrelétrica de Belo Monte é atualmente objeto de muita discussão e polêmica. A mais recente é a produção de um vídeo de alunos da UNICAMP (veja <a href="http://www.youtube.com/watch?v=gVC_Y9drhGo"><strong>aqui</strong></a>), em que questionam vídeos anteriores nos quais participaram atores da Rede Globo defendendo a não construção da usina (veja <a href="http://movimentogotadagua.com.br/"><strong>aqui</strong></a>).</p>
<p style="text-align:justify;">Será que a questão aqui não é saber quem está com a razão, e sim de saber se esta é uma questão de opinião ou uma questão que deve ser discutida com base em fatos concretos, bem fundamentados, como avaliações de impacto ambiental, social e cultural, de custo/benefício, de retorno do investimento realizado, da necessidade real em se construir a usina, e se haveriam outras alternativas melhores, ou não?<br />
Na falta de todas estas informações, qualquer discussão sobre o assunto não vai chegar a lugar nenhum, que claramente não é uma questão de opinião.</p>
<p style="text-align:justify;">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/quiprona.wordpress.com/7937/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/quiprona.wordpress.com/7937/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/quiprona.wordpress.com/7937/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/quiprona.wordpress.com/7937/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/quiprona.wordpress.com/7937/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/quiprona.wordpress.com/7937/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/quiprona.wordpress.com/7937/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/quiprona.wordpress.com/7937/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/quiprona.wordpress.com/7937/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/quiprona.wordpress.com/7937/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/quiprona.wordpress.com/7937/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/quiprona.wordpress.com/7937/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/quiprona.wordpress.com/7937/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/quiprona.wordpress.com/7937/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=7937&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Claraboia</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Jan 2012 16:31:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[informação]]></category>
		<category><![CDATA[Claraboia]]></category>
		<category><![CDATA[José Saramago]]></category>
		<category><![CDATA[literatura portuguesa]]></category>

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		<description><![CDATA[O novo/antigo livro de José Saramago, recentemente publicado, foi originalmente escrito antes dos 30 anos do autor. Aproximadamente aos 30, Saramago o enviou para uma editora, que não manifestou interesse, não publicou e não devolveu o manuscrito ao autor. Com o reconhecimento, a editora voltou a procurar Saramago nos anos 1980. Porém, ele não aceitou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=7932&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/jose_saramago_claraboia.jpg"><img class="alignleft  wp-image-7933" title="jose_saramago_claraboia" src="http://quiprona.files.wordpress.com/2012/01/jose_saramago_claraboia.jpg?w=217&#038;h=298" alt="" width="217" height="298" /></a>O novo/antigo livro de José Saramago, recentemente publicado, foi originalmente escrito antes dos 30 anos do autor. Aproximadamente aos 30, Saramago o enviou para uma editora, que não manifestou interesse, não publicou e não devolveu o manuscrito ao autor. Com o reconhecimento, a editora voltou a procurar Saramago nos anos 1980. Porém, ele não aceitou a publicação naquele momento, autorizando-o somente depois de sua morte.</p>
<p style="text-align:justify;">O livro é bem diferente das obras posteriores e de grande valor literário de Saramago. Não se vislumbra traço do estilo que o consagrou, com longos períodos, muitas vírgulas, detalhamentos e uma narrativa intensa. “Clarabóia” é um livro mais leve, com estilo menos arrojado. Embora particularmente eu o considere muito inferior aos livros mais recentes, está longe de ser um livro ruim. Muito pelo contrário. O interessante do romance é a sua estrutura. Esta sim, lembra muito a estrutura de “Memorial do Convento”, por exemplo.</p>
<p style="text-align:justify;">Algumas passagens que são, na minha opinião, pequenas jóias.</p>
<p style="text-align:justify;">“Tinha uma figura algo quixotesca, empoleirado nas altas pernas como andas, em cuecas e camisola, a trunfa de cabelo manchados de sal-e-pimenta (&#8230;)”</p>
<p style="text-align:justify;">“d. Carmen que respondia na sua língua de trapos, alternando palavras espanholas com frases portuguesas e deixando estas a escorrer sangue na pronúncia.”</p>
<p style="text-align:justify;">“Rolando por montanhas e planícies, despertando ecos nas grutas sombrias e nas cavidades das árvores antigas, lançando na noite mil ressonâncias trágicas, os gemidos aproximavam-se e o seu gemer já era chorar e cada lamento uma lágrima caindo como um punho cerrado, com a força de um punho cerrado.”</p>
<p style="text-align:justify;">“Atravessando as paredes e subindo até as estrelas, ficou a música, o andamento lento da <em>Heroica</em>, clamando a dor, clamando a justiça da morte do homem.</p>
<p style="text-align:justify;">Os últimos compassos da <em>Marcha fúnebre</em> tombavam como violetas no túmulo do herói. Depois, uma pausa. Uma lágrima que desliza e morre. E, imediatamente, a vitalidade dionísica do <em>Scherzo</em>, ainda pesado da sombra do Hades, mas fruindo já a alegria da vida e da vitória.</p>
<p style="text-align:justify;">(&#8230;)</p>
<p style="text-align:justify;">A sinfonia, como um rio que desce a montanha, alaga a planície e se afunda no mar, acabou na profundidade do silêncio.”</p>
<p style="text-align:justify;">“Depois, foi o jantar. À volta da mesa, quatro mulheres. Os pratos fumegantes, a toalha branca, o cerimonial da refeição. Para aquém – ou talvez para além – dos rumores inevitáveis, um silêncio espesso, confrangedor, o silêncio inquisitorial do passado que nos contempla e o silêncio irônico do futuro que nos espera.”</p>
<p style="text-align:justify;">“Sem dúvida, a mãe não perdera nada do seu conceito: via-a talqualmente antes.”</p>
<p style="text-align:justify;">E o final é soberbo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/quiprona.wordpress.com/7932/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/quiprona.wordpress.com/7932/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/quiprona.wordpress.com/7932/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/quiprona.wordpress.com/7932/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/quiprona.wordpress.com/7932/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/quiprona.wordpress.com/7932/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/quiprona.wordpress.com/7932/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/quiprona.wordpress.com/7932/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/quiprona.wordpress.com/7932/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/quiprona.wordpress.com/7932/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/quiprona.wordpress.com/7932/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/quiprona.wordpress.com/7932/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/quiprona.wordpress.com/7932/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/quiprona.wordpress.com/7932/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=quiprona.wordpress.com&amp;blog=7677676&amp;post=7932&amp;subd=quiprona&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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